TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Do calçamento à torre da igreja

João Pessoa em seus 434 anos tem convivido de forma peculiar com todas as suas épocas. Desde Filipéia de Nossa Senhora das Neves e Frederica, quando ainda embrionária em meio ao processo de colonização portuguesa/espanhola e período holandês, até a Parahyba (até 1930) e João Pessoa, que é hoje.


Palácio da Redenção na Praça João Pessoa

A capital de todos os parahybanos é uma das cidades brasileiras com a melhor qualidade de vida, só isso explica seu boom imobiliário. Possui um dos patrimônios históricos mais ricos do “norte” do Brasil, suas praias são majestosas, quer seja aquelas onde o frisson existe, ou mesmo as mais discretas, com pouco movimento, exclusiva para aqueles que querem tomar um banho tranquilo e curtir o sol, que aqui, aliás, nasce primeiro.


João Pessoa recolhe belezas naturais e históricas que seus amantes devem conhecer. Em aulas de campo com turmas de estudantes, um dos roteiros mais interessantes é um dos últimos que fiz e narrarei a seguir: Chegando em João Pessoa, é ir direto ao belíssimo Centro Histórico da Capital. A primeira parada é no Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba – IHGP, sodalício que é presidido atualmente pelo escritor Ramalho Leite, no prédio da Barão do Abiaí, é feita a recepção. Na visita, podemos conhecer o acervo documental do Instituto, a coleção museológica, a Biblioteca Irineu Pinto e a Seção de Obras raras, onde estão os Arquivos Privados que pertenceram aos ilustrados paraibanos Adhemar Vidal, Alcides Carneiro, Osias Nacre Gomes, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Antonio Pessoa, Antonio Pessoa Filho, Manoel Arruda de Assis e Sebastião Sinval Fernandes. Neste prédio estão importantes páginas da história da Parahyba. O IHGP foi fundado em 1905 e é uma das instituições culturais mais antigas da região.


Biblioteca Irineu Pinto, IHGP

A visita ao Instituto dura quase toda a manhã, difícil nesse momento é conter o deslumbramento dos estudantes com tudo, o acervo do IHGP, cada árvore centenária, cada prédio colonial, tudo é observado, do calçamento à torre da igreja, tudo o que é corriqueiro no cotidiano dos pessoenses, “o essencial é invisível aos olhos...” já dizia Antoine de Saint-Exupéry. O almoço se dá por ali mesmo (e quem queria sair dali?), em um restaurante no Centro Histórico, defronte a bonita Praça Barão do Rio Branco (pena que não foi em dia do “Sabadinho bom”...), que também serviu de deleite em seus bancos e suas sombras. Ao caminhar por aquelas cercanias, visitamos o Ponto de Cém Réis e a Igreja da Misericórdia, templo de arquitetura maneirista que guarda os restos mortais das primeiras famílias europeias que chegaram à cidade, com destaque ao Duarte Gomes da Silveira e sua esposa Fulgência Tavares, personagens de relevância para a fundação e desenvolvimento da então capitania. Nela é possível ver algumas escavações (sob tampa de vidro), trabalho realizado em 2006 durante sua restauração.


Flagra do Cruzeiro da Igreja de São Francisco a partir da galilé

Na Praça Barão do Rio Branco ainda temos a Casa do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, onde foi o erário público, temos casarões com azulejos portugueses, alguns prédios em ruínas, é verdade, dando seus últimos suspiros, aguardando ações emergenciais que os preservem. Caminhamos pela rua Duque de Caxias, até chegar ao conjunto barroco do Centro Cultural São Francisco, composto pela Igreja de São Francisco e Mosteiro de São Bento. Os detalhes arquitetônicos e históricos ficam a cargo do Sr. Eduardo Barbosa Pontes, um experimentado guia turístico que demonstra como se pode aprender com o riso. Simpático e extrovertido, “Seu Eduardo” é uma das poucas pessoas que conhecem tão bem este patrimônio histórico. “Há 40 anos que eu estou aqui. Cheguei como sacristão, comecei a ajudar, e hoje estou aqui. Já vi muita coisa em todos esses anos. Gosto muito de receber as pessoas e fico feliz em ver as pessoas aprendendo com tudo isso.”, afirmou Seu Eduardo, uma das figuras que dão vida ao magnífico patrimônio histórico da capital.


O simpático Eduardo Barbosa Pontes, guia no Centro Cultural São Francisco

No fim deste passeio histórico, resta-nos observar o pôr-do-sol na calçada da Casa da Pólvora, fitando o rio Sanhauá e fazendo uma viagem no tempo, voltando ao momento da conquista e fundação da cidade, os navios, as escaramuças, o ambiente. Momento para admirar ainda mais esta cidade. Este é só um roteiro dentre inúmeros que o Centro Histórico abarca, do calçamento à torre da igreja, elementos de sedução responsáveis por nos apaixonarmos ainda mais por essa história, a nossa história.




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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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