TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Uma Audiência Pública sobre Patrimônio Histórico

Atualizado: 1 de nov. de 2019

O dia começa tenso. Para tentar aliviar um pouco aquele frio na barriga, ligo o rádio numa estação que só toque música. Aqueles plantões policiais de início de manhã só iriam me irritar e deixar mais intranquilo. “Antes não fosse convidado!”, sussurrei cá com meus botões, como diria Montesquieu, logo ao sair do banho. Mas não tinha jeito, eu tinha que estar na frente de batalha, luta inglória e injusta que só nos leva a incompreensão nas malhas da cidade e nas opiniões de parte da imprensa.

Dia 16 de outubro, às 10h, audiência pública para discutir a ‘Preservação do Patrimônio Histórico de Campina Grande’, assim dizia o ofício que me foi encaminhado em forma de intimação. Mas o distinto leitor pode me questionar: mas professor, essa não é uma de suas bandeiras de luta? Senão a principal? Pois é, e é mesmo! Mas vocês não sabem a decepção que foi participar de outras audiências, sessões especiais e nada ver acontecer, ao contrário, ver ínclitos edis desfigurarem a noção de patrimônio cultural, desqualificando inteiramente o discurso preservacionista, relegando a nada a importância histórica da riqueza que temos. Foi exatamente por isso que acordei tenso, pelo estresse que certamente iria passar. Mas desistir nunca está em meus planos.


Ativistas culturais no plenário da CMCG

No caminho, encontro os amigos José Edmilson, Noaldo Ribeiro e Walter Tavares, nos reunimos rapidamente para avaliar o que poderíamos ter lá dentro: “Se conseguirmos reativar o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, será muita coisa...” Concordamos e fomos ao plenário. Na entrada, nos misturamos a vários estudantes que também iriam assistir a audiência e isso me animou, a juventude é corajosa e ousada, estamos precisando disso!


Na minha lembrança, busquei inspiração nos moradores da antiga Rua São Joaquim, formada por 76 casebres justamente ali onde hoje está erigida a Câmara Municipal, populares da cidade que foram empurrados para a periferia por planejamentos urbanos excludentes. Lembrei de Nêgo Bosco, Assis, Teinha e sua mãe – Dona Inácia – que no alto dos seus 102 anos, lembra com detalhes a antiga morada das décadas de 1950 e 1960, gente que viveu intensamente a vida dessa cidade...

Me juntei a muitos dos ativistas patrimoniais, representantes de instituições ali estavam, fizemos alguns retratos e teve início a sessão. Do plenário escutei uma a uma das 27 falas de autoridades; Josemir Camilo, Pres. da Academia de Letras; Vanderley de Brito, Pres. do Instituto Histórico, representantes da UFCG, Unifacisa, Procuradoria do Município, blog Retalhos Históricos de CG, alunos da escola Damas e senhores vereadores, que infelizmente estavam em reduzido número dos 23 que compõem o nosso legislativo mirim, prova cabal de que quando um assunto é “puxado” pela oposição, não “empolga” a bancada alinhada com o governo e isso é uma pena, e ainda mais sobre um assunto de tamanha grandeza. Isso jamais entenderei...


De bom tivemos a defesa da criação de uma Lei Municipal do Patrimônio Cultural e um Departamento Municipal bem equipado e com quadro técnico capaz de enfrentar os desafios na área de preservação em nossa cidade. Essas e outras ideias serão encaminhadas pelo edil Olímpio Oliveira como requerimento. Também tivemos uma singeleza trazida pelos alunos das Damas, suas falas se intercalavam às falas das demais autoridades. N’um certo momento, a jovem aluna Marcela Nogueira declama um soneto de sua autoria denominado de ‘Soneto à Rainha’: Um certo dia, me peguei a passear/ Por algumas ruas de Campina Grande./ Foi quando parei e me pus a pensar/ No quanto sua beleza me abrande. /Vi lindas flores na Feira Central/ Que mantêm a barraca perfumada/ Localizada perto da Catedral,/ Onde sempre há missa celebrada./ E o Açude Velho, quando iluminado?!/ O edifício Rique, banco e hotel,/ A Art D'éco e seu grande papel.../ Resgatam o brilho do olhar apertado/ De quem chegou à Rainha da Borborema,/ Me inspirando a fazer este poema! Momento inspirado envolto de uma leveza e sensibilidade, a poesia sempre é contagiante.

Edil Olímpio em seu discurso na CMCG

Das deliberações: próxima reunião será no dia oito de novembro, momento em que os pleitos serão avaliados e devidamente encaminhados, assim nos garantiu o vereador Olímpio Oliveira. Agora é esperar, porque não? Um voto de confiança para resolver de vez a onda destruidora do patrimônio histórico de Campina Grande que tanto temos reclamado.





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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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