TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

A Livraria e o sedutor


Hildeberto Barbosa, Josemir Camilo, Thomas Bruno, Gutemberg, Jean Patrício, Irani Medeiros (em pé) e Z'Édmilson na Livraria do Luiz

Depois de muito tempo, desço a Serra da Borborema com destino à capital parahybana. É manhã de sábado, que já combina com as manhãs sabáticas na Livraria do Luiz, e é esse o destino desejado por nós. Sim, não fui sozinho. Em minha companhia estavam meus queridos amigos e confrades da Academia de Letras de Campina Grande José Edmilson Rodrigues e o Professor Josemir Camilo de Melo, que tinha a missão de lançar seu mais novo livro em evento organizado pelo IHGP. Z’Édmilson e eu fomos apoiá-lo e prestigiá-lo.


Logo cedo, ao sair de casa, aproveitando a luz amena do sol que chegava devagar, observei que a cidade havia se despedido do amarelo ouro e do rosa dos ipês, que pintou de beleza as ruas da cidade na primavera. No alto das árvores, calçadas e as ruas com verdadeiros tapetes floridos, tomando nosso coração de ternura para onde quer que fôssemos. Agora, em pleno verão, um outro amarelo tinge muitas de nossas alamedas, um amarelo mais tímido, pálido, são as vagens das algarobeiras, os conhecidos pés-de-algaroba, única época do ano em que rompem a monotonia verde de suas folhas miúdas e abrem alas para seus frutos. As ruas Almirante Barroso, Francisco Lopes de Almeida o Canal de Bodocongó e muitas outras estão repletas dessas árvores de copas frondosas e sombra fácil onde estão derramados os talos suculentos e açucarados. Não raro, vemos equinos e caprinos a se deleitar daquela iguaria trazida pelo verão, principalmente nos bairros mais apartados do centro. Nem preciso mencionar a meninada que se junta para chupar o docinho da “bage” dessa planta peruana. Criança não rejeita nada e tudo é divertimento!


A beleza de um dos Ipês da Mal. Floriano Peixoto em outubro

Equipe completa, descemos a serra depois de tanto tempo. Novidades, nem tanto, mas o bem querer transformado em boas conversas e risadas, diminuiu o transcurso da viagem em muito mais que a metade. Passam Santa Rita, Bayeux e tomamos João Pessoa subindo a Rua da República. Ruínas da Matarazzo, Praça da Pedra e imaginamos ali, Dom Pedro II transpondo a terra e os charcos em direção à cidade velha quando por aqui esteve. Coisa de historiador.


Frondoso pé de Algaroba no Canal de Bodocongó com suas vagens a se espalhar pelo chão

Já na livraria do Luiz, hora de reencontrar alguns companheiros vacinados que já dão uma escapulida aqui e ali. Reencontro com alegria Jean Patrício, Luiz Augusto Paiva, Irani Medeiros, Hildeberto Barbosa, Kleber Maux, Gilmar Leite, os anfitriões Janaína e Ricardo além de conhecer o escritor britânico William Edmundson, apresentador do livro de Josemir. A mesma alegria de outrora, mas não se compara às reuniões a que fomos acostumados antes da pandemia (já estou falando nela novamente...), com assentos lotados, movimento intenso, entra e sai na galeria 1817. Senti saudade.


E tudo pronto para o lançamento de ‘A Economia Paraibana no séc. XIX e o Capital Inglês: The Conde D’Eu Railway (1875-1901)’, rica obra que trata da história da estrada de ferro ‘The Conde D’Eu Railway’ na Parahyba com suas 311 páginas bem fundamentadas em pesquisas no Brasil e na Inglaterra. Entre falas e autógrafos, percebia a alegria no olhar do autor, um eterno professor por quem tenho profunda admiração e que ali parecia estar lançando seu primeiro livro. A emoção renovada depois de tantas publicações é tocante. Lições de um grande pesquisador.


William Edmundson, Jean Patrício (Pres. do IHGP) e Josemir Camilo

Em uma mesa afastada, enquanto rabiscava alguma coisa, chega o amigo Kleber Maux e eu não escondo a euforia em encontra-lo. Kleber é sobrinho do saudoso Wilson Maux, meu confrade do Instituto Histórico do Cariri, foi uma personalidade singular. Conversamos bastante sobre muita coisa, principalmente sobre esse momento único e passivo de tantas análises. Outra coisa que me chamou muito a atenção, e que eu desconhecia, se refere ao lado filosófico de nosso Pedro Américo e como sua percepção intelectiva influenciava na intencionalidade de sua obra. Naquele momento, informei a Kleber da interessante biografia que será lançada em breve pelo amigo escritor Thélio Farias sobre esse gênio areiense, o que rendeu até idas a Itália para contatar a família desse parahybano ilustre.


Z'Édmilson, Juca Pontes, Raoni, Josemir, Thomas e Kleber

Na undécima hora chega um dos maiores editores da Parahyba, o querido Juca Pontes, que foi apenas nos saudar. Poucos minutos depois, chega à livraria o amigo Raoni Rodrigues, filho de meu amigo Z’Édmilson (que mora na capital). Depois de todas as saudações e afagos, ele pega no meu ombro, me olha (para o tronco) e diz: “Você está mais sedutor Thomas!”. Caímos na gargalhada. Agradeci o eufemismo e compartilhei sua fala com os amigos que ainda estavam na livraria: “Pois vejam só, depois do confinamento, quem fala comigo diz logo que engordei, não dá sequer as horas, ora! Aí chega um amigo e diz que estou mais sedutor”. Que maravilha! Coisas da Livraria do Luiz.

Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' no Jornal A União de 18 de dezembro de 2021.

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Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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