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TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

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Expedição PB/AL I e II

  • Foto do escritor: Thomas Bruno Oliveira
    Thomas Bruno Oliveira
  • 2 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

A direita da rodovia temos o Morro Bodocongó (à esquerda) e a Serra de Caturité (à direita) - TB
A direita da rodovia temos o Morro Bodocongó (à esquerda) e a Serra de Caturité (à direita) - TB

SAÍMOS DE CAMPINA BEM CEDO, perto das seis horas. Eu curioso, vendo tudo como uma novidade. Fomos para as Alagoas, exatamente pela falha geológica da Serra de Bodopitá, passando pela cidade de Queimadas. A Pedra do Touro continua lá! Serra que inclusive está em meu coração, desde Saulo Ernesto a Carlinhos de Tião, de Doda que foi deputado estadual, mas preferiu seguir e comandar seus empreendimentos. Suas criações e sua fazenda são as “meninas dos seus olhos”. Lembro das pesquisas e de palmilhar pela casa dos moradores desta serra histórica.


Passando de Queimadas, vi aquele platô, a Serra de Bodopitá ficou para trás, mas víamos à direita a Serra de Caturité e o morro Bodocongó, seguindo e curtindo a paisagem. Logo à frente, vimos a Serra de Inácio Pereira, toda sinuosa, incrível em suas formas. Por ali já tinha ido a Aroeiras, a Gado Bravo e toda aquela zona rural formada por Mororó, Salinas, Maris Pretos, Caboclos... Já tinha descido até o vale do Parahyba, a emblemática Umbuzeiro, no vale do Rio Parahyba, terra de Assis Chateaubriand, dos Pessoa (Epitácio, pres. da República, João, pres. do estado da Parahyba e seus parentes). Mas na BR-104 sul, tudo se parecia com o equivalente ao platô da Borborema. Ao transpor Queimadas, na rodovia, vimos uma cartografia bem amena, passando da Serra de Bodopitá, as terras que se seguiram tinham a mesma característica, relevo plano, poucas ondulações. No Raso da Catarina, meu querido Rubens Antônio (in memoriam) já me chamou tanto e o quanto ele falou sobre o lugar. Não conheci ainda, mas com informações de Aderbal Nogueira e de João de Sousa, o povo é indígena da gema. São os Pancararé e na entrada de Águas Belas, vimos a região indígena dos Xucurú. Realmente a gente observa no fenótipo do povo como essa presença indígena é forte, é sensivelmente marcante.


Observando a paisagem, e passando a fronteira para Pernambuco, vi grandes criações de gado, gado leiteiro, de corte, era nelore, pé duro e capoeira. Bem diferente do que vemos na Paraíba. Aqui, temos uma grande disseminação de criação de ovinos e caprinos e é diferente do que vi entre Pernambuco e Alagoas. Criações de grande porte foi o que mais observei no caminho, apesar da vegetação ser a mesma, caatinga brava, inóspita, cheia de desafios, mas peculiar.


Minha ansiedade era chegar às Alagoas, passamos pela divisa com Pernambuco e a geografia parecia ser a mesma, e realmente era. Não avistávamos grandes serras a não ser – na Parahyba – a Serra de Caturité, o morro de Bodocongó e a Serra de Inácio Pereira. Cortamos Pernambuco, mas não pelas sinuosidades da Serra das Russas e outras geografias desse estado. Fomos descendo o planalto devagar, aderindo ao caminho. Grijalva Maracajá, Inácio, Julierme, Roniere e eu declamando poesias e histórias, memórias e lembrando fatos do cangaço e da rota em que estará bem a frente, nosso porto de chegada.


Caju na beira da estrada em Lajedo/PE
Caju na beira da estrada em Lajedo/PE

Mas vamos falar em Alagoas. A caminho dela, em Lajedo/PE, paramos na beira da estrada para esticar as pernas e compramos um monte de caju. Cajú maduro, avermelhado, doce que “só a moléstia!” e seguimos em frente, observando a altitude e vendo a vida passando pelos caminhos da estrada. Uma placa anuncia a direção do município de São Bento do Una, terra do meu querido cantor Alceu Valença, e eu pensando pelas ruas que andei nessa minha caminhada. Uma riqueza maior do mundo, uma alegria que não tem tamanho.


Tínhamos tomado café em Barra de Santana/PB, aos pés da Serra de Inácio Pereira, em frente seguimos para Pernambuco e tudo se parecia com a zona rural de Queimadas, território amplo, inóspito, mas brando, de ondulações amenas, até passamos pela fronteira e eu nem me percebi, tão semelhante foi o ambiente em que andamos. A cada gado bovino, seja nelore ou pé duro, eu lembrava dos bodes do meu Mundo-Sertão, onde vemos caprinos e ovinos em tudo que é lado. Por que a diferença? Realmente não sei. O que sei é que em Jacaré dos Homens, cidade alagoana, é berço do gado leiteiro, inclusive, não só na praça central, mas nas cercanias, vimos dedicação ao gado e nos falaram que grandes empresas se instalaram na cidade para estimular a criação e a vivência no lugar, grandes fabricantes de nome nacional como a Itambém e Piracanjuba.


Jacaré dos Homens/AL. Passe as imagens clicando na seta - TB


Andei pela cidade, conheci moradores, fiz a barba em um barbeiro central, visitei a matriz, sua praça ajardinada, seus moradores simpáticos e atenciosos. Ali paramos, a bateria do carro se foi, mas nada que uma chupeta não resolvesse. Resolvido o problema, entramos de Alagoas a dentro.


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A UNIÃO em 25 de outubro de 2025.



>>> II


Piranhas velha, ao centro a sua famosa torre do relógio. No alto há um mirante e um café - TB
Piranhas velha, ao centro a sua famosa torre do relógio. No alto há um mirante e um café - TB

DEPOIS DE CRUZARMOS PERNAMBUCO, passando por Garanhuns e uma série de cidades no caminho, (inclusive uma parada em Jacaré dos Homens), chegamos a Piranhas à noitinha. Nunca tinha ido às Alagoas, como diz meu pai, a “terra dos marechais”. Lá fomos tão bem recebidos pelas pessoas, todas, em todos os lugares, gentis e alegres em qualquer informação ou serviço, isso me fez refletir, quanta gentileza! Ficamos alojados na Piranhas de cima, a parte mais nova da cidade em uma hospedaria familiar, uma casa com cozinha, quartos, uma beleza, um encanto, ao lado de um açude construído para os trabalhadores da Chesf e curiosamente sem nome. Estávamos Grijalva Maracajá (aposentado da PRF), Inácio Gonçalves (também da polícia), Julierme do Nascimento Wanderley (nosso presidente do Borborema Cangaço), Roniere Leite Soares (meu eterno mestre na Escola Técnica Redentorista e maestro) e eu.


Piranhas histórica. clique na imagem para ampliar - TB


A Piranhas velha, mais antiga, é descendo a ladeira em direção ao Rio São Francisco, a benção que aquelas cidades todas tem, tanto do lado de Alagoas, quanto do lado de Sergipe. Canindé de São Francisco, a própria Piranhas, Poço Redondo e muitas outras. Como foi enigmático ver o “Velho Chico” à noite, rio caudaloso, largo, enorme, refletindo as luzes da cidade e da lua. Fiquei curioso e impressionado como a cidade recebe turistas. São pessoas de todos os lugares, de vários estados – e até estrangeiros – sua arquitetura, em parte neo-colonial, é encantadora, desde a torre histórica a antiga estação, que hoje é museu e está em reforma, não pude conhecer, mas um dia irei.


Há um paço nas proximidades da inconfundível torre que se abre para eventos, logo ali pertinho do porto, que deu notoriedade a Piranhas. Música ao vivo, incontáveis mesas e o povo se divertindo em um cenário de luz morna, aconchegante, calçamento de pedras antigas que recolhem tantas histórias que nem mesmo conhecemos. Passagem de cangaceiros como o Gato, como Lampião que foi morto na grota de Angicos, do outro lado do rio, no Poço Redondo, junto à Maria Bonita e mais nove companheiros, tiveram lugubremente, suas cabeças expostas em um espetáculo triste e macabro de nossa história, justamente em um prédio que foi mudado o sentido dos degraus, talvez uma maneira de esquecer aquele espetáculo bárbaro das cabeças expostas.


No paço a que me referi, eu me lembrei de um saudoso amigo, o Pedro Nunes Filho, caririzeiro dos Cariris Velhos, do Mundo-Sertão, nas fronteiras com o Pajeú pernambucano. Ele escreveu, certa vez, falando da Caatinga que era justamente onde estávamos, o seu Mundo-Sertão, que


>>> Você vai ver o tempo escorrer de mansinho e a lua luar na copa das baraúnas feito fosse lençol de prata estendido sobre as folhagens das caatingas [...] Cuido que toda criatura merece a tarefa de aprender viver e sentir a beleza do Mundo-Sertão<<<


e o tempo realmente passava de mansinho entre as inúmeras barraquinhas onde se vende muita coisa, até livros, isso em um paço superior acessado por um lance de escadas, batizado de 'Praça do Giradouro'. Vez enquanto, um sopro gélido vinha do Rio São Francisco e não passávamos calor. Numa das bancas enxerguei publicações de nossos confrades do Borborema Cangaço Bismarck Martins de Oliveira, João de Sousa Lima e Fabiana Agra. Foi um reencontro sentimental. Lá comprei “Piranhas, Alagoas: porto de histórias” do Jairo Luiz Oliveira, e eu já o “devorei” na pousada, ouvindo a sonoridade do ronco dos amigos que estavam entregues a Morfeu.


Tenho muito mais impressões sobre a cidade e a região, inclusive sobre a experiência de navegar no Rio São Francisco e a trilha da volante até a Grota de Angicos, mas tudo isso aí vai ficar para um outro momento. O que posso dizer é do meu encantamento com as coisas, o patrimônio e a história do lugar. Não foi possível visitar Viçosa, terra de meu saudoso amigo ex vereador em Campina Grande Manoel Barbosa (o Enfermeiro do Povo), mas a vontade de voltar às Alagoas é gigante e quem sabe conhecer também a capital, Maceió, e mergulhar nas águas do Mar de Pajuçara, como Carlos Moura tão bem cantou. Minha leitora, meu leitor, até a próxima.


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A UNIÃO em 08 de novembro de 2025.

2 comentários


Sebastião Henrique Gonçalves dos Santos
Sebastião Henrique Gonçalves dos Santos
03 de dez. de 2025

Desbravar os caminhos nordestinos ao lado dessas excelências deve ser um aventura e tanto! Muitas histórias e memórias

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The Mcx
The Mcx
03 de dez. de 2025

Na aventura alagoana, em meio à observação da paisagem e às cores locais da última paragem de Lampião, um à parte: "eu já o “devorei” na pousada, ouvindo a sonoridade do ronco dos amigos que estavam entregues a Morfeu".

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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