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TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

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  • Foto do escritorThomas Bruno Oliveira

E chegou o verão


Verão - Shutterstock

E O QUE MAIS me impressionou foi a última semana da primavera. É que o Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET, alertou que em boa parte do país teríamos chuvas acompanhadas de raios e trovoadas, além do risco de vendavais. Todas as defesas civis foram alertadas e até os nossos smartphones nos davam notícias das condições climáticas perigosas e isso para toda a semana.


Na última segunda-feira choveu bastante e à tarde foi possível ouvir trovoadas. Aqui na Serra da Borborema, em Campina Grande, as águas ocuparam os mesmos baixios de sempre: ruas empossadas, outras alagadas, me recordei que no fim de semana meu amigo ‘Santo da Terra’ de Bodocongó havia me enviado um documentário na plataforma youtube chamado: ‘Vila dos Teimosos: A perseverança que queima às margens do Açude Bodocongó’ de autoria do Flauber N. V. de Melo contando um pouco da saga dessa comunidade que sempre sofreu com a sua expulsão pelas chuvas torrenciais, mas reagiu (e reage!) retornando ao mesmo lugar ganhando justamente a alcunha de ‘teimosos’. O vídeo pode ser visto no fim do texto.


Na terça e na quarta as rádios faziam o mesmo alerta e choveu em algumas etapas do dia e da noite. Lembrando que entre os momentos chuvosos, o tempo ficava insuportável de abafado. A quinta (dia do fim da primavera) começou a chover cedo e uma cena arrebatou minha atenção, por que não dizer minh’alma? Justo ao lado da Vila do Artesão (bairro de São José) existe uma distribuidora de metais e lá de cima do galpão uma calha jorrava água como uma cachoeira e de uma boa altura. Na mesma calçada, em seguida, está a Escola Municipal Roberto Simonsen abrigando alunos do ensino fundamental e foi de lá que duas garotas de aproximadamente doze anos vestidas com calça jeans e a farda auriverde se deliciavam com aquela água fria e forte que caíra da biqueira. Era por volta de onze horas da manhã e a cena foi muito bonita de ver. Uma ficava embaixo, abria os braços enquanto a outra pulava como a espantar o frio; daqui a pouco vinha o revezamento e a segunda criança punha as mãos na cintura e dançava graciosamente uma música imaginária. Houve abraços acompanhados por pulinhos e algumas dancinhas que mais pareciam cirandas. A doçura infantil daquele momento foi para mim inesquecível. Ainda pensei em discretamente fotografar ou mesmo filmar, mas por questões éticas decidi respeitar a meiguice daquele momento ingênuo e guardei apenas nos arquivos de minha mente. Quanto as meninas, devem ter apanhado das mães em casa por chegarem molhadas, mas uma situação dessa valeu a pena.



Banho de bica no RN - Tribuna do Norte

Esse banho de bica também me fez viajar a um momento bem distante. Tinha eu uns dez anos e salvo os momentos em que estava gripado ou com crise de cansaço (que por sinal foram muitos) e tinha uma chuva em nosso bairro, a molecada se juntava e fazia todo tipo de presepada no meio da rua, chutávamos terra molhada uns nos outros, dávamos rasteiras (como os carrinhos de futebol) para derrubar alguns deles, já molhado rolava em meio a rua de terra, esbanjando um verdadeiro compêndio de efusão de amizade e alegria. Não existia dor naquelas crianças humildes e criativas nas brincadeiras, as dificuldades, quando eram encaradas, eram ingenuamente pareciam mais brincadeiras do que coisa séria. Os adultos tomavam de conta disso. Essa travessura toda ocorria para dar tempo das primeiras águas lavarem as telhas; em casas geminadas e de um só pavimento, é danado para os gatos fazerem suas festas, além de quebrar telhas constantemente, deixavam a bica suja. Essa era a recomendação das mães:


– Olhe, deixe a água lavar o telhado e a bica primeiro pra não pegar germe de gato.


Após alguns minutos a disputas eram nas águas jorradas nas biqueiras e nessa, sempre os maiores se davam bem, mas a rua tinha umas duas três boas bicas, dava para todo mundo. Mas o quê? O "molequeiro" queria ficar junto, então o empurra-empurra fazia parte da brincadeira. Que boa recordação da infância!


Ontem o céu ficou azul dando vivas ao verão, o solstício ocorreu às 00h27 e algumas nuvens bem alvas bailaram, e ainda tem Ipê florando! Amanhã é Natal e a vocês caríssimos e queridíssimas leitoras, meus votos de um feliz Natal em meio aos seus.


Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A União em 23 de dezembro de 2023.



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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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