TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Conhecendo a Paraíba: Prata


Portal na entrada de Prata-PB "Terra dos grandes mestres"

Prata está localizada na microrregião do Cariri Ocidental paraibano, limitando-se com Ouro Velho e Amparo ao norte, Monteiro a sul, Sumé a leste e São José do Egito-PE a oeste; está distante 300 km da capital do Estado e ocupa uma área de 107 km2. Possui uma população de 4.265 habitantes (IBGE).


Segundo Coriolano de Medeiros (1914), o antigo nome de Prata era Mujiqui, do vocábulo indígena mon-jiqui, que significa “fazer armadilha para peixes”. Durante muitas eras, seu território foi ocupado por diversos grupos indígenas, prova inconteste são os vários sítios arqueológicos antiquíssimos já encontrados. Em épocas de colonização, a região foi povoada por índios Sucurus (Tarairiú). A sesmaria mais antiga, referente a uma possível localidade onde se encontra Prata seja provavelmente a datada de 1701, onde segundo Irineu Jóffily (1893), Simão Cunha e Pedro Almeida solicitam uma sesmaria nas fraldas de uma serra chamada pela língua do gentio de Moajiqui.


Na sombra desse Juazeiro, o Padre reunia fiéis

Sua história está intimamente ligada à de Alagoa do Monteiro (atual Monteiro), tendo início na primeira metade do século XIX. Na década de 1920 tornou-se distrito de paz, tendo sua emancipação em 16 de fevereiro de 1955 (Lei Estadual nº 1.147) desmembrando-se do município de Monteiro, mas só através do Decreto Lei de 07 de janeiro de 1959, Prata torna-se politicamente independente.


A denominação de Prata, segundo a versão popular, se deu quando os tropeiros costumavam saciar a sede de seus animais em uma cacimba de águas cristalinas (devido ao minério marcassita encontrado em seu interior) localizada próximo ao povoado que se chamava Mugiqui. Como o fundo da cacimba reluzia com a luz do sol, passaram a chamar a localidade de Riacho da Prata, derivando em seguida para Prata. Curiosamente, no longínquo ano de 1645 (período holandês) o pastor calvinista e geólogo Jodocos Van Statten recebeu da Cia das Índias Ocidentais a ordem de se dirigir ao sertão de “sacuru/sucuru” a explorar uma suposta mina de prata, não logrando êxito. A questão é: nessa época se sabia muito mais do interior da capitania do que se supõe.


Voltando ao município, sua primeira Igreja foi a sombra de um juazeiro, onde o Padre José, de São João do Cariri, reunia os fiéis e celebrava a missa. Em 1898 é construída uma capela em louvor a Nossa Senhora do Rosário, que após sucessivas reformas se transformou na bela igreja matriz do município. O patrimônio histórico de Prata é muito interessante e vai desde o antigo cemitério (que remonta a epidemia de cólera morbo em 1863, segundo o saudoso amigo escritor Pedro Nunes) ao conjunto arquitetônico tombado por Lei Municipal nº 110/2001. Através deste pioneiro tombamento, o município é reconhecido pela Embratur como próprio ao turismo.


Na Fazenda Pio IX está instalada a ONG Centro Viva Nordeste, organização voltada ao desenvolvimento de técnicas de convívio com a natureza, buscando assim a valorização do homem do campo e possibilidades ecologicamente corretas de explorar o meio-ambiente. A fazenda é administrada pelo ex-prefeito da cidade João Pedro Salvador, um preservacionista que fomentou o primeiro tombamento municipal de um centro histórico na Paraíba além de ter desenvolvido no Cariri os pilares do ecoturismo. É um visionário como foram Balduíno Lélis, Pedro Nunes, Manelito Dantas e outros tantos bastiões de nosso Mundo-Sertão.



Hoje, João Pedro está “tombando novamente” o patrimônio do município, pois em sua fazenda deu início a construção de chalés que são verdadeiras réplicas dos casarões históricos da Praça Cícero Nunes. Espero que ele consiga concluir o projeto.


Não podemos deixar de mencionar a Fazenda São Paulo dos Dantas, outra pérola caririzeira. Outro patrimônio histórico do município é o Sítio Areal, lugar onde houve o embate entre as forças policiais da Paraíba e Pernambuco contra a milícia armada do Dr. Augusto Santa Cruz, promotor público em Monteiro, que em 1911 insurgiu-se contra o Governo da Paraíba, formou uma milícia armada de 500 homens, travando uma guerra que movimentou o Mundo-Sertão e teve desdobramentos em Pernambuco e no Ceará. A fazenda, através da Câmara Municipal e Prefeitura Municipal de Prata, foi transformada em Sítio Histórico cuja sede foi restaurada e transformada em memorial.


Chegando à cidade, vendo a Serra da Matarina

A preservação deste acontecimento histórico que movimentou parte de nossos sertões se deu a partir de histórias contadas (incontáveis vezes) a Pedro Nunes Filho por seu Pai. Durante anos, Pedro pesquisou este acontecimento, visitando cidades e recolhendo memórias de contemporâneos de 1911, além de farta pesquisa documental. O fruto desta pesquisa é o empolgante livro ‘Guerreiro Togado’ (com suas 516 páginas), uma epopeia sertaneja comparada por críticos ao “Os Sertões” do Euclides da Cunha, que relata outra guerra, a de Canudos.


Procissão saindo da Matriz

Além do farto patrimônio histórico, Prata detém um opulente patrimônio ecológico. A Serra da Matarina resguarda uma rica flora acatingada e exemplares raros da fauna regional. Prata, uma bela cidade do cariri paraibano. Você precisa conhecer!


Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' no Jornal A União de 30 de outubro de 2021.

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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