top of page

TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

Início: Bem-vindo
Início: Blog2
  • Foto do escritorThomas Bruno Oliveira

Dia do Folclore na Bahia

Salvador da Bahia é repleta de encantos. Dentre o patrimônio cultural existente em nossa primeira capital, o que mais me impressiona é o seu povo e a sua inventividade para marcar o passo e dizer: - Eu existo e estou aqui! Fiquei maravilhado nesse dia do folclore, última quarta-feira (22-Ago-19); tive o prazer de estar na capital dos baianos e ver (e aprender!) na imprensa um pouco desse caldeirão cultural. Diversos jornais trouxeram matérias especiais, mas o Jornal da Manhã (o Bom dia da Globo Bahia) foi o principal. Transmitido ao vivo da Lagoa do Abaeté, no bairro de Itapuã, com os pés na areia, houve um grande encontro entre a orquestra Afrosinfônica, o grupo Malê Debalê e as Ganhadeiras de Itapuã. À medida que a música e as entrevistas se desenrolavam, eu admirava a pujança cultural e o apego à história como uma forma de resistência, evocando e rememorando um passado ancestral.


Lagoa do Abaeté (bahia-turismo.com)

As Ganhadeiras de Itapuã é um grupo de mulheres organizado há quinze anos, mas que remontam séculos de história. Foram as primeiras empreendedoras daquelas terras, seus cânticos e tudo aquilo que foi passado através de gerações pela oralidade, vem sendo trabalhado e cantado por elas. Cada poesia, cada contação, cada história foi buscada para se transformar em música. O músico Amadeu Alves é um dos grandes responsáveis pela manutenção dessa história com valorização do que existe de mais autêntico. O tempero da música das ‘ganhadeiras’ é a energia do mar aberto. O samba do recôncavo tem todo seu sotaque e sua idiossincrasia, já o Samba de roda em Itapuã ganha assim a nomenclatura de Samba de Mar Aberto, próprio e típico desse bairro com a cara de quem mora na beira da praia onde o farol de Itapuã e a Lagoa do Abaeté são referências.


Ganhadeiras de Itapuã (ganhadeirasdeitapua.blogspot.com)

No passado, as ganhadeiras saíam com seus produtos para vender em tabuleiro: “tem pra vender, quem quer comprar, tem pra ioiô, tem pra iaiá, tem amendoim tem cocada, coco verde e mungunzá, bolo de milho tem tapioca, beiju molhado para lhe dar, ganhadeiras de Itapuã...” Assim elas iniciam o samba de roda vestidas à caráter, passos curtos e uma indisfarçável malemolência que vai se expressando no molejo da cintura, dos ombros e toma conta do corpo todo; com pescoços rijos, esticando os rostos para o alto e olhar faceiro de canto de olho, dão uma imponência que ao mesmo tempo desdenha e convida para acompanharmos a dança. Toda essa energia vai ser tema central da escola de samba Unidos do Viradouro, levando o axé baiano para a Sapucaí em um trabalho baseado na história, trazendo um olhar muito importante para manter essa vocação da cultura baiana.


Orquestra Afrosinfônica (orquestraafrosinfonica.blogspot.com)

Já a orquestra Afrosinfônica, liderada pelo maestro Ubiratan Marques, traz um repertório próprio de música popular em que as pessoas se reconhecem. A instrumentação da orquestra compõe uma arquitetura sinfônica que representa a mistura de elementos da cultura afrobrasileira, os inconfundíveis tambores, com instrumentos de sopro. As vozes cantam o Iorubá, o Português e outros dialetos africanos no que facilita uma abstração cultural. Esse é o ponto alto da Afrosinfônica. Ao lado estava o Cortejo do Malê “esse é o povo negro, é o Malê Debalê” cantado por Karine Malebalê. O grupo representa quarenta anos de resistência, de afirmação do povo negro da cidade. Roupas coloridas e os atabaques dão o tom; na história buscaram a inspiração no movimento dos Malês, a quem reverenciam.


Na Bahia, dia do Folclore é momento de reafirmar as tradições, as manifestações, aquilo que vem a constituir a identidade do seu povo. É, de fato, muito bonito de se ver.


132 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Duas irmãs

댓글


PR Eletro.JPG
Fabio Santana Corretor.JPG
King Flex.JPG
Anne Closet.JPG
pizza.JPG
Início: Galeria de foto
Início: Blog Feed
DSC_4252.JPG

ENTRE EM CONTATO

  • twitter
  • instagram
  • facebook

Obrigado pelo envio!

Início: Contact
DSCF2988.JPG

DANDO INÍCIO

O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

Vamos conectar
Início: Sobre
bottom of page