TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Férias sim!


Barra do Miriri, onde as águas frias do rio encontram o mar quente

Não me lembro de quando tirei férias em janeiro. Tudo bem, é início de ano, mas nunca me aventurei nessa seara. Esse ano, até por ter duas férias “dentro”, resolvi gozar, como é o termo apropriado, para não juntar três e eu não perder um desses períodos. Nos últimos anos, minha amada Mamãe Dona Diana vem e passa a primeira semana de janeiro em nosso ranchinho em Lucena, mas eu não, nunca me dei a esse desfrute. No máximo ia aos fins de semana, dessa vez foi diferente.


As reflexões que me tomam nos fins de ano, o que fiz, o que posso e devo fazer, foram pensadas aqui, em Lucena, onde passei o réveillon com a família. Nessa cidade praiana me deleitei no fim e início de ano novo com uma alegria renovadora. Confesso que adoro romper ano em casa, em Campina Grande, mas por circunstâncias familiares, vim para Lucena e desde que cheguei tenho enxergado as coisas daqui, visto com a agudeza do cotidiano e a singeleza das belezas circunscritas nessa geografia permeada de rios, mangue, areia e mar.


Desde que Papai alugou a primeira casa aqui, de uma senhora chamada Isabel, nos idos de 2008, não tínhamos a menor ideia do que seria Lucena e de como chegava. Dessa primeira vez, sabendo que a casa alugada nada tinha, empilhamos tudo o que se achou necessário para trazer e viemos com panelas, trapos, tv e tudo mais até o pescoço, parecia uma verdadeira mudança! Chegamos, mas a casa tinha uma distância de quase quinhentos metros da praia, era uma boa caminhada. Vencemos todas as dificuldades, inclusive nesse ano na companhia de uma amigona de minha irmã que passou vários dias conosco, a hoje famosíssima Juliette vencedora do BBB. Procurei e vi nos arquivos fotos de 2008, eu fazendo um churrasquinho e ela do lado, curtindo aquele momento.


Em família...

Dali em diante, meu pai acabou por alugar uma casa à beira mar próxima ao centro de Lucena, de uma figura de Brasília, que quem tomava conta era o amigo Pinto. Certa vez, foi um ano todo alugado e o marulho na madrugada, era um bálsamo para mim que acordava com o som das ondas, tentava ouvir o que o mar dizia. Até que tivemos a sorte grande de comprar uma casinha, um ranchinho, na Ponta de Lucena, próximo ao lendário Araújo e seu mercadinho e, desde então, esse é o nosso refúgio. Não olvido jamais de meu saudoso amigo Jean Dantas que nos deixou ano passado e que ou ele ou eu, o primeiro que chegasse a Lucena ligava para o outro. Já falei sobre ele nessa coluna, um ser extraordinário. Como dói demais sua partida...


Visão a partir do mirante de Lucena-PB

E o que fazer nessa semana, além de descansar? Lucena não tem uma grande infraestrutura, longe disso, mas o que tem de empreendimento, é eivado de amor e labor por seus empreendedores e suas empreendedoras, pensamos na ‘cocada na quenga’ que é um espetáculo à parte. Comi uma peixada de primeira qualidade em Geraldo; caranguejo e caldo de cação em Ramos, tainha com fritas em Arinho. Indo para Costinha observar os navios que chegam e saem do porto, de várias bandeiras, chegamos ao velho e querido Dalto “cara de rato” para comer um guaiamum de primeira. Dos gabeões se avista a ilha de Restinga e a desembocadura do Rio Parahyba, sensação impar.


Na praia de Lucena, naquela verdadeira baía, petiscamos no ‘Resta um’, ‘Canoas bar’ e ‘Arrastão’. E por falar em arrastão, vi o modus operandi dos pescadores e do grande arrasto que ocorre geralmente logo cedo. Vários homens com cordas amarradas à cintura puxando o arrasto que foi disposto ao mar no dia anterior. “o pescador tem dois amor, um bem na terra, um bem no mar...” e observando a relação deles, é perceptível essa circunstância.


Da Ponta de Lucena-PB

Acordei cedo para ver torrencial chuva, acordei tarde com o mormaço desse sol de verão. Joguei baralho e ganhei, tomei boas doses de cachaça Matuta. Banho de mar tomei, em maré alta levei rasteira, na maré baixa fiquei de brincadeira. Fiz churrasco, catei conchas, comi do camarão na água e sal de Josias, vi navios fundeados (como o marinheiro Papai me diz que é), deitei n’areia, vi travessura de crianças, fui ao Santuário da Guia me benzer, me impressionei mais uma vez com a suntuosidade do barroco tropical, aquelas frutas retratadas na arquitetura sempre me intrigaram... comi caranguejo, corri atrás de siri, contemplei o mar verde esmeralda, o mesmo “verde que chega a doer/ Das águas de Tambaú...” como diz Cátia de França. Com chuvas miúdas, o Parahyba tem jogado pouca água no estuário e o verde é predominante. Tomei banho nos Rios Camaçari e na barra do Miriri, observei pássaros, andei a pé, passeei de carro.


Que semana minha gente! Ainda quero visitar a ong do prof. Romilson e levar a família para conhecer o centro histórico da capital, já que todos já visitaram as velhas ruínas de Bonsucesso. Espiando o Atlântico e com os pés n’areia, desejo a vocês, meus leitores e minhas leitoras, um 2022 de muita paz, saúde e ternura em família e nas relações várias. Um forte abraço!

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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