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TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

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  • Thomas Bruno Oliveira

Fio condutor de uma memória


Manoel Barbosa em 1951 - Acervo

NA PRIMAVERA de 2016, tive a oportunidade de concluir, junto a meu querido amigo José Edmilson Rodrigues, um trabalho escrito que me orgulhou imensamente, não só por ter efetivamente feito, mas pela oportunidade de conhecer uma pessoa de primeira qualidade e ter a feliz oportunidade de se tornar seu amigo, estou falando aqui de Manoel Joaquim Barbosa, querido Manoel Barbosa ou simplesmente “Manú”, que advindo das Alagoas, das entranhas de Viçosa, cidade natal, lá pelos idos de 1924, chega a Campina Grande, no interior da Parahyba, na década de 1940, radicando-se entre nós e fazendo tão bem a toda a comunidade, quer seja na política, literatura ou mesmo no seu posto de saúde, que o consagrou como o “Enfermeiro do Povo”.


Em sua varanda, no alto do vale do Bodocongó, Manú – como era chamado por sua mãe – começou a contar sua história. Observado por olhares apaixonados de sua senhora, a companheira de seis décadas Maria Lopes Barbosa. Junto a fotos, recortes jornalísticos do saudoso Diário da Borborema e algumas cartas, Manoel Barbosa abre o livro do passado, aflora suas mais tenras lembranças e compartilha um pouco de sua ilibada, bonita e expressiva existência.


Sua varanda no alto do Bodocongó - Campina Grande-PB

O fio condutor dessa história que contamos no livro (a ser publicado em breve), é o trabalho. Algo tão valoroso para quem nasce literalmente com os pés no chão. É nesse momento que Seu Manoel Barbosa traz doces recordações de sua amada mãe, Ana Maria Barbosa e do seu pai, Joaquim José Barbosa a quem deve seus ensinamentos, seus maiores exemplos de vida fortemente marcantes, complementados pelas primeiras letras na Fazenda Porangaba, através dos cuidados da professorinha Maria de Lourdes Pinto. Tudo isso compõe o esteio de sua personalidade e de seus princípios, nunca esquecendo de seu maior sonho: estudar e ter uma vida melhor.


Enfermeiro, escritor, poeta, político, hipnotizador, Pai cuidadoso, conselheiro, vereador, esposo, avô... dono de uma conduta impoluta e admirável. Não há quem proseie uma palavra sequer – Da terra dos Marechais à Rainha da Borborema – sobre Seu Manoel Barbosa que não seja de admiração, reconhecimento e amizade. Junto a Maria Lopes Barbosa comemorou bodas de diamante, companheira com quem sempre sonhou. E junto aos seus 12 filhos e vários netos, viveu noventa e um anos muito bem vividos. Sua gentileza e cordialidade peculiar nos tomaram com amizade, e, a Z’Edmilson e a mim, confiou a honra de traduzir em letras a história de sua vida, nos contando e confidenciando suas memórias.


Das inúmeras conversas e ligações, nunca deixei o telefone se desligar sem ouvir um sonoro elogio: Seu Manoel sempre exaltava as qualidades das pessoas, as admirava e muitas vezes me ligava para dizer o quanto admirava quem das letras era devoto e quem honrava a história escrevendo copiosamente. Depois de ler algumas de nossas crônicas semanais em jornal impresso, certa vez, disse que tenho o mesmo espírito “dos seus tempos” do Grêmio Literário Machado de Assis, criado em meados dos anos 1950 por estudantes e intelectuais da cidade a qual fundou e presidiu. “– Vocês, meus amigos de hoje e sempre, Thomas e José Edmilson, sou muito feliz por tudo que tenho e sempre vou admirá-los por suas letras, por nossas letras, por Campina Grande, essa terra que amo e venero. Deus me deu tudo! Um menino pobre, sem perspectivas, consegui ser alguém na vida e encaminhar para a vida todos os meus amados filhos”.


Agradáveis conversas em sua varanda

E assim, desfrutamos de ótimas conversas e inúmeros momentos familiares, o gesto afetuoso dos filhos, dos netos compuseram uma aura mágica de lisonja e ternura, sempre em sua varanda, sempre ali, de manhã, à tarde ou ao anoitecer, onde nossos papos testemunhavam os raios solares cintilantes e quentes tocando o chão ou a fina neblina beijando as flores do seu jardim. Ao longe, vislumbra-se o espelho d’água – o Açude de Bodocongó.


Dia vinte e sete agora, de janeiro, completará sete anos de sua partida terrena, a saudade é imensa e sempre que remexo as gavetas da memória e o encontro em alguma foto ou escrito, lembro de sua voz e da ternura com que sempre me tratou e isso me emociona demais. A ele mando o meu mais terno e carinhoso abraço, na certeza de que um dia vamos nos encontrar novamente.


Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A União em 07 de janeiro de 2023.

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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