TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Fui ao IHGP


Reunião na Biblioteca Irineu Pinto, IHGP - João Pessoa-PB

SEMPRE ME ANIMA ANDAR, viajar, ter a oportunidade de observar como estão as coisas por aí. A sensibilidade de quem por tanto tempo cumpriu uma prisão sem nada ter devido, tenho a impressão que ficou mais aguçada. Ou seria o saudosismo do isolamento tingindo os sentimentos de maneira mais sensível? Sinceramente, não sei dizer. O que realmente sei, é que fui convocado a descer a Serra da Borborema para uma reunião no coração da nossa capital João Pessoa, uma assembleia geral da casa de memória mais antiga do estado, o respeitadíssimo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano – IHGP, instituição com 117 anos de história, onde ocupo a cadeira nº30 com muita honra.


Passava um pouco das seis da manhã quando parti sozinho para o compromisso. Nas ruas do bairro, algumas senhoras livravam suas calçadas das folhas caídas na madrugada. Mais adiante, crianças e adolescentes seguiam para suas escolas. Esse cenário muito se assemelha aos tempos “normais”, com exceção do uso de algumas máscaras. O vento gélido e os recantos das ruas acusavam que houve chuva na madrugada. Com a mão esquerda para fora, deixava aquele ar invadir o carro, o corpo e a alma. Demora uns minutos até que vou saindo “oficialmente” da zona urbana de Campina. Até o Riachão do Bacamarte, descemos as escarpas orientais desse gigante planalto. Não sem antes ser desafiado pela majestosa Pedra da Torre e, aliás, alguém sabe que castelo é aquele que estão ali construindo na margem esquerda da rodovia? Uma obra monumental com estrutura funcional e não simplesmente decorativa no sítio Torre. Curioso.


Curiso castelo sendo construído no Sítio Torre

Parei algumas vezes para sentir o ambiente, cheirar o mato, observar as serras, coisa que é quase impossível quando se tem companhia, e geralmente de quem não tem paciência em parar para ver o céu ensolarado ou estrelado, gente agoniada. Para essas situações, simulo um “xixi”, mas tenho que parar uns minutinhos. O DNIT continua com sua demorada reparação na BR 230. Com as chuvas, toda sorte de flores nasceram nos canteiros e invadiram acostamentos, a pista ia sendo limpa por bravos soldadinhos vestidos de laranja, um sacudia uma bandeira vermelha, os outros se revezavam na capinagem. O Cajá e suas tapiocas, o Café-do-vento e os caminhos para Sapé de um lado e a Pilar de Zé Lins do outro, dali é um pulo para chegar ao famoso posto Planalto e a entrada de Santa Rita. A seguir o transito tumultua um pouco até eu conseguir subir a rua da República e voltar àquele belo centro histórico, sempre merecedor de mais atenção. E não é que mutilaram a estátua de Jackson do Pandeiro de novo. Vândalos!


Nossa sede na Rua Barão do Abiaí, Centro.

Na porta do IHGP, sou recebido pelo simpático André Nascimento, mais novo estagiário do Instituto, fruto de um recente convênio com a UFPB, essa é só uma das novidades. Na biblioteca Irineu Pinto, o Presidente Jean Patrício estava ao lado do decano Prof. José Octávio de Arruda Mello, que está prestes a completar cinquenta anos só de sócio efetivo na casa, me receberam com aquela alegria e compadrio de sempre. Antes da reunião, já discutimos algumas coisas e combinamos outras, enquanto do lado, o confrade Flávio Ramalho de Brito acompanhava e orientava o trabalho de três estagiários que manuseavam documentos raros de dois séculos que fazem parte de nosso acervo. José Nunes, Martha Falcão, Glauce Burity, Sérgio Rolim, Francisco Cartaxo, Marcos Cavalcante, foram outros sócios que foram paulatinamente chegando, além da presença sempre marcante de Socorro e Adonai secretariando. Ansioso fiquei para rever Carlos Azevedo, Zélia Almeida, Berilo e Dora Borba, Ramalho, Humberto, Eliete, Osterne, Ricardo e muitos outros queridos e queridas que não puderam estar presentes. Aliás, todos eles impedidos pela sombra da pandemia e suas cepas que, na verdade, ainda não acabou. Ficou para uma próxima!


O Presidente Jean apresentou uma série de novidades, é a vigésima semana de museus, várias ações na sede e dos projetos em andamento, o que me fascinou foi o pioneirismo de organizar um evento para discutir o bicentenário da Independência do Brasil, iniciativa que nenhum outro órgão estadual teve. Isso talvez porque o próprio estado brasileiro esqueceu a efeméride e a tradição, não incentivando eventos estaduais. Por essa atitude, o Inst. Histórico e Geográfico Brasileiro, sediado no Rio de Janeiro, incluiu o IHGP em um evento nacional e teremos uma palestra do emérito e querido Prof. Josemir Camilo de Melo transmitida para todo o país. A Parahyba presente! O busto de José Bonifácio existente no Museu do IHGP está em exposição na Biblioteca, uma maneira de lembrar aos visitantes aqueles acontecimentos de 1822.


O busto de José Bonifácio

Voltei feliz. Tenho admirado a dinâmica de nosso presidente, o engajamento de vários sócios e a casa respirando ares alvissareiros. Dei-me até ao desfrute de me perder em várias ruas do centro histórico, seguindo a esmo, tentando readaptar o olhar. Vida longa ao IHGP!

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Publicado na coluna 'Crônica em destaque' no Jornal A União de 14 de maio de 2022.

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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