TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Galante e o trem


O Trem do Forró chegando ao distrito de Galante em 2017

GALANTE É UM DOS LUGARES mais concorridos nas festas juninas de Campina Grande, conhecido destino turístico no coração da Paraíba. O auge da festa se dá quando o lugarejo recebe a Locomotiva do Forró (ou Trem do Forró) passeio turístico repleto de história e ritmos regionais, criado há 33 anos.


Distrito de Campina Grande, Galante está localizada no extremo leste do município, situada no alto do Planalto da Borborema, numa superfície de região com ondulações médias e suaves, de altitude que varia entre 600m e 700m. Clima semiárido, equatorial, temperatura média de 22ºC, umidade variável entre 75% e 83%, de outubro a março são os meses mais quentes e as incidências de chuvas acontecem de abril a junho. Lugarejo muito aconchegante.


Suas encostas um dia foram permeadas por densa floresta acaatingada e nos dias atuais a terra é trabalhada pela agricultura de subsistência e várias espécies de capins. Limita-se, ao sul com Fagundes e ao norte com a Fazenda Tatu de Baixo, a leste com o Surrão e a oeste com as terras de Tatu de Cima. Sua posição, situando-se no flanco da Serra de Bodopitá, encanta pela paisagem bucólica que se apresenta naquelas paragens, um verdadeiro mirante com o Açude de José Rodrigues aos pés, tudo abaixo do céu azul.

Mas por que Galante? Este foi o nome dado ­ainda no século XIX a uma fazenda pertencente ao senhor João Correia de Menezes, que recebeu o título de Major pela sua participação na repressão da conhecida Revolta de Quebra Quilos, nos idos de 1874 e, assim, o surgimento do Distrito está intimamente ligado à construção da estrada de ferro que se espraiou pelo interior da Paraíba, através da companhia inglesa The Great Western of Brazil Railway, e inaugurada sua estação em 1907 (hoje desativada) com linha de transporte de passageiros e cargas. A partir daí o povoado se desenvolveu, tornando-se Distrito oficialmente em 1924.


Cortejo de vaqueiros acompanhando a chegada do Trem do Forró

De Campina Grande à Galante, pode-se contemplar um patrimônio cultural e natural exuberante. Distante do centro do município cerca de 25 km e ligado por uma estrada de asfalto moderna e bem sinalizada, vamos encontrar uma paisagem de encantar os olhos. Pelo vilarejo, vemos o Açude José Rodrigues, a Fazenda Santana, o Restaurante “Casa de Cumpade” (do querido Cumpade João), passeios ecológicos – a cavalo e de carroça – tirolesa e outras atrações, além de uma farta e apetitosa comida regional.


É no Maior São João do Mundo, evento conhecido internacionalmente, que Galante alegremente se prepara para as festas, vestida de bandeirolas, com suas palhoças e palcos para apresentações de shows com diversas atrações no seu mercado e nas ilhas de forró para receber os turistas e homenagear os santos juninos: Santo Antônio dia 13, São João dia 24 e São Pedro dia 29 de junho. Toda essa recepção gira em torno da chegada da Locomotiva do Forró, um trem com cerca de 1.000 passageiros, com sete vagões, partindo da Estação Velha (Estação Campina Grande que abriga desde a década de 1980 o Museu do Algodão) em direção ao povoado, o trajeto perdura aproximadamente duas horas e é animado por diversos trios de forró ocupando estrategicamente os vagões com o mais puro “forró-pé-de-serra” animando a todos com seus zabumbas, triângulos e sanfonas numa alegria contagiante.


Os trilhos, o Açude José Rodrigues e a Pedra de Santo Antônio no cume da Serra de Bodopitá

Após dois anos de pandemia, que silenciou o Parque do Povo e eventos mundiais como as olimpíadas, não tenho conhecimento de qualquer manutenção dos trilhos entre Campina e Galante e no início do ano me assustou quando vi os trilhos ali no São José, que cruzam a Av. Almirante Barroso, serem cobertos com asfalto, e bem próximo da Estação Nova onde existe a área de manobra e o trem fica estacionado. Segundo o que apurou o jornalista de turismo Fábio Cardoso, não há nenhuma possibilidade de o trem estar em Campina esse ano (por conta da manutenção) e ainda mais, ele será aproveitado na cidade litorânea de Santa Rita.


Penso que Campina Grande poderia ter o passeio de trem não só no período junino, mas o ano todo. Partindo do Museu do Algodão, com destino a estação Galante (e quem sabe a estação Ingá?), aos fins de semana, visitando não só a ‘Estação Cultural Casa Moacir Barbosa da Veiga / Major Correia de Menezes’, onde colaborei com a criação junto ao escritor José Edmilson em 2017, como também vivenciar a simplicidade do distrito, andar de cavalo, visitar o mercado observar a arquitetura e o seu contraste com a natureza exuberante. Ver lá no cume da Serra a famosa Pedra de Santo Antônio, retornar à Campina e visitar seus atrativos turísticos.


Memorial no interior da Estação de Galante

É algo impossível? Claro que não! Quem não quer sentir o sabor de viajar de trem? Especialmente no nordeste, quem não quer relembrar o famoso ‘Asa Branca’? Há inúmeros exemplos de norte a sul do país. Temos que pensar de maneira estratégica e aproveitar tudo o que temos de melhor em um calendário que não se limite ao majestoso São João, mas ao ano todo.


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Publicado na coluna 'Crônica em destaque' no Jornal A União de 21 de maio de 2022.

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Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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