TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

História e Patrimônio


Prédio com placa de venda TERRENO/CASA

Tivemos nessa semana dois dias importantíssimos para a reflexão, o primeiro deles, o ‘Dia do Patrimônio Histórico’, comemorado nacionalmente desde 1998 em homenagem ao historiador e primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) Rodrigo Melo Franco de Andrade; o segundo, o ‘Dia do Historiador e da Historiadora’, em dezessete e dezenove de agosto respectivamente.


Embora o governo federal proponha que o dia do Patrimônio Histórico seja para celebrar a história brasileira, acredito mais que celebrar sem preservar, não faz muito sentido. Os incêndios que consumiram o Museu Nacional (em 2018) e recentemente a Cinemateca Nacional, com seus mais de um milhão de documentos da antiga Embrafilme e que iriam compor um museu que contasse a história do cinema brasileiro, são exemplos do descaso que, aliás, não é “privilégio” do Rio de Janeiro ou São Paulo, em todos os estados temos em menor ou maior grau o total abandono de arquivos, acervos, patrimônio arquitetônico e cultural. Há uma cultura do descaso e, muitas vezes, uma espécie de silenciamento, uma maneira de negligenciar acervos culturais por estes lembrarem determinados passados. É só lembrar o revisionismo proposto recentemente com relação a ditadura de 1964.


Visão geral do prédio da antiga Rua do Emboca

E por falar em esquecimento, lembro do historiador britânico Peter Burke que certa vez disse que “a função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer”, ressaltando que em muitas vezes ela não quer esquecer, mas é levada a isso por inúmeras ‘forças’, sendo o(a) historiador(a) fundamental no sentido de não permitir que seja esquecido o que deve ser sempre lembrado, mesmo que haja um esforço para esquecer. Memória e esquecimento, passado e presente sempre em duelo.


Enquanto historiador e dedicado a história de nossa cidade e do nosso estado, enfim, tirei a tarde da quarta-feira, dia dezoito, entre uma e outra comemoração para dar um passeio (de carro!) pelo Centro Histórico, circunscrito no que chamamos de “Centro Histórico de Campina Grande”, uma área deliberada em 2003 e delimitada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) em 28 de junho de 2004, compreendendo um cinturão englobando ruas e praças centrais da cidade contendo edificações em estilo Art Déco, Inglês, Neoclássico, Eclético e vários monumentos.


Antigo Depto. de Transporte, Oficina e Garagem (DTOG) da PMCG

Além das ausências marcantes do casarão Marques de Almeida (Av. Getúlio Vargas) e do localizado na feirinha de frutas, demolidos ano passado, outros tombaram nas ruas Dep. Álvaro Gaudêncio, João da Mata, Desembargador Trindade e a ruína imposta ao DTOG, antiga Usina de Força e Luz nas margens do Açude Velho (estes últimos fora do perímetro delimitado). Outra coisa digna de registro é sobre a antiga residência de Seu Gregório e dos Agra na antiga Rua do Emboca, e não é que afixaram placa de venda. E, claro (para os padrões da cidade), ‘vendo terreno/casa’, dando a entender que caso o casarão não interesse, pode ser entregue só o terreno, contrariando a legislação de tombamento de um prédio construído no início da década de 1920, a única referência do estilo eclético naquele setor, já que o prédio vizinho, como disse anteriormente foi demolido.


Notem que há 2 postes na calçada

Outra aberração foi um gigantesco poste inserido no canteiro, exatamente no trevo entre Coronel José André, Rui Barbosa e Getúlio Vargas, tomando conta da paisagem, uma aberração inadmissível. Ainda mais que há um poste na calçada da antiga Fábrica Marques de Almeida, alinhado com esse novo, que poderia ser utilizado. Como poste é mobiliário público, que a Prefeitura possa orientar a retirada.



Aí refletimos, qual é a função de um centro histórico? Qual a função de um tombamento? Qual a função do órgão fiscalizador? Uma edificação histórica que vai ao chão é parte da história de um povo (de uma época) que desaparece. Enfim, se faz necessário que medidas EMERGENCIAIS sejam tomadas para estagnar este crescente processo de destruição. Manter o que ainda resta do patrimônio histórico/arquitetônico de Campina Grande é uma obrigação pois tem havido um grande desrespeito a memória da cidade que, esquecendo a sua história, esquece também sua identidade.


Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' no Jornal A União de 21 de agosto de 2021.


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Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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