TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Numa certa noite de Natal...

A vida nos colocou frente a frente algumas vezes. Passos distintos, diversos, difusos. Até um dia em que o destino colaborou com um encontro, breve, solto, casual. Apesar de rodeado por amigos, tivemos como trocar duas ou três palavras apenas. Uma pose para um retrato nos aproximou, dali você se foi, eram os primeiros dias de fevereiro e a vida seguiu.


Mesa de Natal (ConstruindoDECOR)

Muitos meses se passaram até que o destino nos desafia novamente. Noite amena, véspera de Natal. A família reunida dentro de casa e não na área livre por receio da chuva que ameaçava aqueles dias. Passei o dia visitando alguns amigos, rotina feita nos dias em que a saudade de um antigo amor sempre batia mais forte e, fui levado a um encontro especificamente com dois amigos que há muito não os via. Conversamos, me questionaram pelo amor que eu declamava e se compadeceram com aquele fim não desejado, e tomamos uns goles. Minh’alma ali se preencheu de sentimentos ufanos, o espírito que paira no ar geralmente nos últimos dias do ano me deixou mais sensível, porém, mais forte. Larguei de vez os devaneios que me assombravam. Conversamos sobre a vida, sobre o mundo, sobre o ano que se avizinhava (e eu com meus botões, esse controverso ano mal teria começado, ou existido...), me despedi dos camaradas, voltei pra casa no fim da tarde, vi os últimos preparativos das comidas da ceia natalina quando minha mãe me indaga: – meu filho, vá descansar, passou o dia todo fora... Ouvi as sábias palavras, dormi o sono dos justos.


Nos anos anteriores, me vesti sempre de Papai Noel e fiz passeios pela cidade, visitando instituições ou mesmo fazendo acenos a crianças com a janela do carro aberta. Nas ceias, também me caracterizava de “bom velhinho”. Naquela determinada noite de Natal eu não queria, estava sorumbático. Tomei um banho gélido, arrepiante, capaz de levar consigo as impurezas funestas, já não havia mais lugar para elas. Pus um terno preto, sério e discreto; fui ao encontro dos convidados que já chegavam. Entre um cumprimento e outro, um cheiro e um afago, chegam duas garotas, uma delas justamente aquela jovem bela que meses antes encantou meus olhos... Nos olhamos de uma maneira leve porém fulminante, os olhares muito falam, é bem verdade, e nos cumprimentamos. Os olhares se repetiam e eles pareciam querer muito mais. A noite passou, os convidados um a um se foram, fomos ficando cada vez mais perto, ouvimos músicas do passado e mais perto ficamos até estarmos lado a lado. Um toque, uma mão, um gesto e me deparei com um sentimento que há muito tinha esquecido que existia, surgira ali uma centelha, seria mesmo uma nova paixão?


A deixei em casa nos primeiros raios matinais, fiquei nervoso, suei, não estava me reconhecendo... estava sim me reconhecendo! Até que um beijo explodiu as sensações e sentimentos, o cheiro da pele causava uma fusão de almas a partir dos desejos. Nos beijamos e aquele momento mágico se cristalizou em uma música que tocara no rádio, do grande Roberto Carlos “eu sou aquele amante à moda antiga...” e sou mesmo, um amante que estava adormecido.


Uma semana depois nos encontramos, o trabalho e correria durante a semana não permitiu contato além do telefone, mas o encontro da alma parecia já haver acontecido. Horóscopo, astros, tudo parecia conspirar e revelava o que estava por vir, o que aquela noite de natal havia proporcionado... A pele ardia, a boca sedenta queimava, o abraço ávido sufocava, desejo impulsivo e compulsivo. Carinho e bem querer se desenrolava como as cores das páginas de um enredo amoroso. A vontade e o desejo pareciam ali estar guardado há anos e finalmente despertado em ambos corações. Pouco mais de um mês havia se passado e a sensação é que verdadeiras eras teriam transcorrido entre o primeiro beijo e os poucos dias que se seguiram, coisas da paixão. E como bem disse Vinícius de Moraes: que seja infinito enquanto dure.



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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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