TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Um parque zoobotânico no Açude Novo

Atualizado: 1 de mar. de 2021



Parque do Açude Novo (José Edmilson Rodrigues)

A ideia de um zoológico ou um parque zoobotânico para Campina Grande parece absurda, mas não é. Você pode estar pensando: onde poderia ser esse parque? Há algum lugar em Campina ou arredores que possa abarcar esse audacioso projeto? Há sim! Um deles poderia ser tranquilamente a mata do Louzeiro, onde estão as nascentes do Riacho das Piabas, mas aqui defendo uma outra possibilidade, utilizar toda a extensão do Parque Evaldo Cruz ou Parque do Açude Novo para o intento, uma das mais tradicionais áreas de lazer da cidade.


Na última quinta-feira (25/02), por recomendação do Prefeito Bruno Cunha Lima, houve uma grande reunião entre diversos secretários municipais para debater estratégias e alternativas para a utilização do Parque Evaldo Cruz, dentre as ideias, espaço para ações públicas e um teatro de arena. Aqui deixo a minha ideia. Como seria?


Construído em uma área onde por mais de um século existiu um açude que deu de beber a Campina, o Parque do Açude Novo (inaugurado em 31 janeiro de 1976) foi muito frequentado por famílias inteiras com suas crianças que se divertiam nos inúmeros brinquedos ali existentes; como também pela juventude que, na boquinha da noite, se encontrava para apreciar o bailar das fontes luminosas e sonoras que circundavam o obelisco, marco zero da cidade. Na área de extensão do Parque Evaldo Cruz havia animadas festas organizadas numa feirinha cultural, ao lado do Shopping Center Campina Grande. Desde sua criação, o Parque foi espaço de sociabilidade durante toda a semana, área de lazer das mais frequentadas da cidade. Atualmente o logradouro perdeu quase que totalmente seu público visitante e isso muito por conta da pouca oferta de atrativos ou serviços. Até sua calçada em seu entorno não proporcionava uma boa caminhada devido aos buracos, até que o ex-Prefeito Romero Rodrigues deitou o piso inter-travado melhorando consideravelmente, isso entre 2017 e 18.


O obelisco no centro do Parque (RHCG)

Em 2002 os balanços e escorregos, concorridos brinquedos infantis, foram retirados em uma controversa reforma e o espaço foi se descaracterizando. A área conta hoje com lanchonetes (que estão posicionadas nas bordas e de costas para o parque) e dentro dela funcionavam uns bares a noite, selecionando e reduzindo a quantidade e diversidade de usuários. Não raro a imprensa noticia assaltos, prostituição e tráfico de drogas (além de assassinatos), não se aconselha caminhar sozinho por aquelas cercanias em certos horários.


Com área de 46.875 m2, o Parque zoo-botânico recolheria espécies da fauna e da flora exclusivamente de nosso semiárido, um Parque zoo-botânico-museu da caatinga. Há espaço suficiente para este projeto em pleno centro urbano da cidade e nossas universidades seriam sim parceiras de primeira hora. Já imaginou? Aves como Seriema, Carcará, Asa Branca, Galo de Campina, Rolinha, Casaca-de-couro; répteis como lagartos, jacaré; serpentes das mais variadas; felinos como o gato maracajá; roedores como o preá e o mocó; saguins, jabutis, tatupebas, um casal de jumentos, dentre outros animais que povoam o nosso semiárido.


Parque do Açude Novo em construção (RHCG)

Um espaço seria destinado a um cactário com uma farta coleção reunindo diversas espécies de cactáceas de nossa caatinga, além de todo o lugar abrigar árvores como Aroeira, Ipê (de diversas cores), Pereiro, Angico, Juazeiro, Craibeira, Barriguda, etc. O projeto poderia ser incrementado por uma casa de taipa que reproduziria o modus vivendi do homem nos sertões ao longo dos tempos, numa composição bem dinâmica e didática. Há exemplos muito bem sucedidos de pequenos zoológicos em outros países.


Enfim, este espaço natural seria um equipamento educativo, de pesquisa, de lazer e também de preservação; lar de animais que fossem apreendidos com colecionadores; lugar onde alunos das universidades da cidade pudessem realizar seus estágios; destino para a visitação de estudantes das escolas de Campina e região e também um atrativo para a população da cidade aos fins de semana, ótima oportunidade de estar perto de animais e plantas em um pedacinho da natureza proporcionando diversão e conhecimento. Por que não? É possível sim um zoológico para Campina e no Parque Evaldo Cruz.


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do jornal A União do sábado, 27 de fevereiro de 2021.

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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