TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Uma delícia de passeio

Atualizado: 13 de dez. de 2020


O Sambaqui Catamarã aportado na entrada da Barra do Cunhaú

A embaixadora do turismo do Rio Grande do Norte, a amiga Cristina Lira, me convidou para um passeio em uma catamarã, embarcação desportiva com dois cascos paralelos. Seu nome é ‘Sambaqui Catamarã’, fiquei curioso a partir do nome: por que sambaqui? Sambaqui é um concheiro, um amontoado de conchas resultantes do uso de ostras por povos antigos e encontramos em vários pontos do litoral brasileiro. É comum nesses sambaquis se encontrar muitos vestígios dos nossos antigos ancestrais e o topônimo é bem presente, pelo menos aqui na Paraíba, é pensarmos em Tambá (Sambá): Tambaú, Tambiá, Tambaba, todas essas palavras fazem referência a esses antigos concheiros. Mas o que esse termo tem a ver com esse passeio de catamarã? Esperei para ver.


Saímos de Pipa, onde estávamos muito bem hospedados no Sun Bay, aos cuidados do grande Clidenor Souza, e nos dirigimos a Sibaúma, era o trecho mais próximo para chegarmos ao nosso destino que era a Barra do Cunhaú. Quando descobri que ia a essa barra, que na geografia é o termo usado para o encontro de águas, no caso rio com o Oceano Atlântico, fiquei maravilhado. É que a Barra do Cunhaú é justamente onde desemboca o Rio Curimataú, curso d’água quase todo paraibano, nasce na zona rural da graciosa cidade de Barra de Santa Rosa e serpenteia todo o Curimataú, atravessando a divisa estadual e seguindo seu curso até beijar o Atlântico na Barra do Cunhaú, que eu não conhecia. Lá em Damião-PB a garganta do rio é profunda e enigmática, pensava eu que a foz desse rio deveria ser majestosa, e realmente é. Além do Curimataú, a Barra ainda recebe os Rios Cunhaú e Garatuba.


A belíssima Barra do Cunhaú

Em Sibaúma, atravessamos o Rio Catú em uma balsazinha miúda, deu medo, no entanto, aquilo era raso e não havia risco nenhum. Depois de passar, andamos em uma areia branca e tranquila até chegar ao lado esquerdo da Barra do Cunhaú. Ali estava aportado o ‘Sambaqui Catamarã’, um monumento branco, imponente, elegante. E vamos a ele! Sem precisar entrar na água, temos acesso a escada e de repente, lá em cima, a sensação é que não estamos apenas boiando na água, mais parece que estamos em terra de tão firme e estável que é a embarcação. Com mesinhas e assentos frente a frente, formam-se pequenas cabines, dando plena intimidade... e começamos o velejar e quem é que nos recebe com sorriso largo e terno? Seu Juarez Rabelo e Dona Carmem, além de sua filha Jihrane Rabelo, pessoas fantásticas, com uma simpatia peculiar, iniciam a explicação sobre detalhes e minúcias da catamarã e do lugar. É um banho de história e de informações sobre a Barra do Cunhaú, o rio Curimataú e, inclusive, a escolha do nome sambaqui, que foi fabricado em Cabedelo-PB. Rabelo nos mostra uma concha antiga de ostra que é do tamanho de um braço, coisa impressionante. Algo comum antigamente naquela região. Deslizamos ou, na verdade, flutuávamos naquelas águas e recebíamos uma grande aula de história e geografia, momento em que admirávamos a natureza. Aquele mangue bem preservado, com árvores de médio e grande porte, enchia nossos olhos de beleza e alegria.


O simpático Juarez Rabelo e a concha de ostra do tamanho de seu braço

Antes de chegar ao Meral, vimos as garças azuis riscando o céu. Para os amantes da natureza é uma experiência emocionante. Não muito longe dali lembrei que está a cidade paraibana de Araruna, que vem de Arara Una, ou seja arara preta (que é a arara azul escuro), ave da fauna regional. Já no Meral, avistávamos a beleza do mangue e Rabelo nos contava de uma das histórias de Canguaretama, os 'santos mártires'. Trinta católicos mortos pelos holandeses em 1645 no tempo das chamadas invasões holandesas, que foi ali naquele município. Vizinho é Baía Formosa-RN e logo após é a divisa estadual, do outro lado está Mataraca-PB. Não longe dali, com acesso pelo rio, o casal Rabelo tem uma fazenda e pretende construir um restaurante para a experiência ficar ainda mais incrível.


A estabilidade do Sambaqui é tanta que não nos preocupamos com algo virar ou se mover na mesa. Não vira!

Andamos um pouco, um pouco mesmo. Até que se descortina a barra, aquele cenário sensacional, uma maravilha da natureza... o serviço de bordo contava com diversos sucos, drinks e petiscos. Espetinhos e uma deliciosa caldeirada de frutos do mar além de uma música suave, um repertório para abrilhantar ainda mais o momento. A certa altura, encostamos em uma prainha que se abriu na mata e o dedicado Marquinhos (um dos funcionários da Sambaqui, filho e neto de pescadores) nos faz uma demonstração de como se caçava caranguejo antigamente na região à maneira totalmente artesanal. Experiência divertida estar em meio ao manguezal, escorregando na lama e vendo a dificuldade que um trabalhador tem para garantir o caranguejo que comemos nos restaurantes.


Grande Marquinhos mostrando a caça do caranguejo antigamente

No retorno, com a mesma leveza da ida, chegamos à boca da barra e onde podíamos observar as edificações do pequeno e gracioso vilarejo, uma aura bucólica e encantadora. Ali foi possível tomar um banho recebendo toda a energia do lugar. Águas rasas represadas pelos arrecifes, refrescante e seguro.


É um passeio incrível e o Barreto nos conta que pode receber turmas exclusivas para passeio durante o pôr do sol e também eventos como aniversários, réveillon, etc. É só reservar no link https://whats.link/sambaqui (ou no Instagram) e se deliciar em um dos mais gostosos passeios aquáticos de todo o Nordeste. Assista ao vídeo, veja mais fotos:



Casal Rabelo com sua filha (centro), Cristina Lira (verde) e jornalistas paraibanos

Deslizar por essas águas é uma experiência incrível - Sambaqui

Paula Wanessa e o jornalista Thomas Bruno deliciando sucos de cajá e uva

Uma bela visão do encontro de águas - Sambaqui

Experiências do por do sol

Iluminação leve, suave, para curtir o anoitecer - Sambaqui

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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