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TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

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  • Foto do escritorThomas Bruno Oliveira

O Véi do Buxão


Momentos antes do Bloco

O BLOCO ‘Associação Cultural O Véi do Buxão’ nasceu em 2018 depois de uma confraternização na oficina de Pedrinho Marceneiro, filho do grande carpinteiro Cavalcante, lá na Rua Augusto Severo, o antigo “Beco do Cacete”, onde na tarde de um sábado, n’um calor que Deus nos dava, alguns tiraram a camisa, outros a levantaram na altura da barriga e fizemos uma foto. Observando o retrato, viram que a grande maioria tinha uma barriguinha proeminente, ou seja, tinham o buxão. Nesse momento, um dos que viram a imagem na tela do telefone deu um grito: “eita! Tudo Véi do buxão”, no momento seguinte, entre risos e emoções, foi resolvido que se faria uma festa ou bloco com esse nome, assim tudo nasceu.


O bloco é fixo, não de arrasto (se concentra, mas não sai), e tem sido realizado na esquina da Getúlio Vargas com Cel. José André, justamente entre os bares do Anacleto e o Ferro d’Engomar, não só valorizando o ambiente histórico como exaltando esse que é o último reduto boêmio do centro de Campina Grande. Veio a pandemia e entre um sobressalto e outro, não fizemos a festa em 2021. Em vinte e dois, temerosos, fizemos algo bem simplificado, homenageando um dos grandes nomes dessa área, Seu Anacleto, cujo bar chorou sua partida, vendo seu cortejo e sofrendo a dor de sua ausência.



Precisamos falar desse ambiente histórico. As boninas, por trás da fábrica Marques de Almeida, tem em seu âmago uma boemia que foi forjada numa quantidade de trabalhadores que oportunizou uma clientela. Naquele lugar, cantinas e cabarés surgiram feito essa flor, as boninas, que enfeitavam os cantos das ruas que na década de 1920, tinha chão em terra batida. Zé Garçon, Unidade Moreninha, Rosas de Ouro, eram os lupanares mais garbosos. Ali afloravam os abastados doutores e poetas, mas também, gente simples do cotidiano. Falar em simplicidade, aqueles becos que se espraiavam, viravam reduto de amores incontidos, de trabalhadores da fábrica e do sexo, beijando a escuridão da noite, encobertos pelo véu da sombra arquitetônica da cidade.


Esses becos dão acesso ao outro lado do quarteirão, onde a Rua Brandão Cavalcanti se transformou em Getúlio Vargas com os eventos de 1930 e a rua das Areias ganhou o nome de João Pessoa. Hoje temos dois bares que são incríveis por suas características de reunir não só os trabalhadores em fim de expediente, mas conceber ambiente em que eles possam se congratular carinhosamente e gerar novas amizades. Esse cenário, o último reduto boêmio do centro da cidade, estamos valorizando por conhecer as histórias não só dos proprietários, como dos seus frequentadores, inclusive entendendo as especificidades do centro histórico de uma cidade que deixou há muito de ter festa. Em João Pessoa, há muitos anos existe o projeto “Sabadinho bom”, aqui não temos, apesar de que em época junina, triângulos, zabumbas e sanfonas se espalham por todos os recantos.


Para esse ano, o bloco ficou para o último sábado (04/mar/23), fechando a programação do ‘Campina Folia’, que é um projeto que organiza e assessora os blocos e agremiações, promovendo estrutura e apoio através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município. Fechar o carnaval com chave de ouro foi a nossa intenção e grande responsabilidade, por isso que os organizadores Fábio Santana, José do Egito, Nildo Brucutú, Pedrinho Marceneiro e eu nos desdobramos para o pleno êxito. Para tanto, além de ambulância, bombeiro civil e segurança privada, tivemos o valoroso apoio da Polícia Militar (destaque para a Patrulha da Mulher com a campanha “Meu corpo não é sua folia”). Além de tudo isso, ofertamos para quem tivesse adquirido a camisa uma gostosa feijoada, muitas frutas, cinquenta litros de cachaça brejeira e degustação da cachaça Matuta, tudo ao som do tradicional frevo com a presença do maestro Nego (Severino Arruda) e a orquestra Lira de Campina Grande. Incrementando e relembrando antigos carnavais, contamos com o ‘boi de carnaval’ (bumba meu boi) Centenário criado pelo saudoso Bastinho e hoje desenvolvido por seus filhos e netos. O boi foi uma surpresa para muitos que evocavam naquele momento suas infâncias, num saudosismo todo especial.


Foi um banho de alegria, uma verdadeira celebração do carnaval entre amigos, o balanço é positivo. Fiquemos na expectativa do ano que vem e vocês, caríssimos leitores e leitoras, estão convidados.


Leia, curta, comente e compartilhe com quem você mais gosta!


Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A União em 11 de março de 2023.

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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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