TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

A cidade dos Ipês

O ipê, as garças e o Açude Velho

Em um país tropical como o nosso, a distinção das estações é um pouco confusa, ainda mais no Nordeste. Aqui em Campina Grande, chuva não quer dizer necessariamente que é inverno, mas uma coisa é certa, quando a estação fria está no fim, nos são abertas as portas da primavera e esta sensação sensorial devemos justamente à beleza da floração dos Ipês.


O Ipê é uma árvore diferente, ao brotar de suas flores, as folhas se jogam dos galhos como a reverenciar a estação que se inicia, a primavera. Em Campina, quando entra setembro, uma “boa nova entra nos campos” (como canta Beto Guedes), as ruas são tomadas pelas flores transformando a atmosfera da cidade. E é agradável em cada rua que passamos sentirmos a beleza de Ipês amarelos, brancos, rosas... É bem verdade que Flamboyants, Rainhas do prado, Jacarandás (em menor quantidade) etc, também dão o ar de sua graça; nas relvas, canteiros e até em terrenos baldios, vemos as xananas e jitiranas, tingindo de branco e de rosa os caminhos da cidade, Campina é completamente pintada de primavera e estou certo que a sensibilidade de seus habitantes é tocada com o ‘sol de primavera’: abrindo as janelas do peito, semeando canções ao vento.


Projeto Verde Novo em 1998 (Silvia Almeida)

Considerada como madeira nobre, o Ipê é uma árvore nativa brasileira, seu nome vem do tupi e significa casca dura; ela também é chamada de pau d’arco e a denominação se deve a larga utilização da madeira pelos indígenas brasileiros para a confecção de arcos, flechas, etc. A boa qualidade e durabilidade do Ipê atravessou os séculos e hoje até instrumento musical se faz com o seu lenho. Com isso, deu à nobre Ipê o título de flor nacional, ao lado do Pau Brasil que é a nossa árvore nacional (lei nº 6507/78).


Verde Novo: primeiras mudas sendo plantadas no Parque da Criança em 1998 (Silvia Almeida)

Mas em Campina, como tudo isso começou? Até fins do século passado, a cidade possuía poucos e discretos Ipês e em absoluta maioria só se era visto na zona rural, até que em 1998, a paisagista Sílvia Cunha Lima elaborou o projeto ‘Verde Novo’ e foi buscar no interior de São Paulo milhares de mudas, totalizando vinte e oito mil para o desenvolvimento do projeto. Além dos Ipês amarelo, rosa, roxo e branco (esse inédito na cidade), Sílvia trouxe Jacarandá mimoso, Pau rosa, Abricó de macaco, Paineira, dentre outras espécies. Como o crescimento é um tanto quanto lento, duas décadas depois, parte dessas árvores plantadas ainda não estão copadas e com grande porte, o que vai ocorrer com o decorrer dos anos. O projeto paisagista é assim mesmo, lento e paciente; as palmeiras imperiais, por exemplo, foram plantadas nas margens do Açude Velho a partir de 1973 e muito tempo depois é que ganharam porte, atualmente faz parte da identidade do cartão postal mais famoso da cidade.


A Paisagista Silvia Almeida coordenando o projeto (Silvia Almeida)

Na Avenida Mal. Floriano Peixoto, cortando os bairros, vemos os Ipês amarelos; no centro da cidade, os Ipês rosas, e há um roxo magnífico no Parque do Açude Novo. No Canal do Prado estão os amarelos e roxos, ainda pequenos. No Açude Velho há um corredor de Ipês brancos ­– ao lado do Parque da Criança – onde aliás, tudo começou. O Parque recém-inaugurado necessitava de uma arborização, o que ocorreu com árvores típicas de nossas matas. Me relatou Sílvia que levava seus filhos para brincar no Parque, enquanto isso, ia desenvolvendo seu plano paisagístico que a cidade só iria ver anos depois.


Na foto, os filhos Marcela (branco) e Pedro (branco) ao lado de uma muda de ipê com seus amigos (Silvia Almeida)

Atualmente a Prefeitura Municipal possui o programa ‘Minha Árvore’, distribuindo milhares de mudas para a população; a maioria das mudas são de? Ipê! Isso mesmo. Através da sensibilidade de Sílvia lá na década de 1990, hoje temos a oportunidade de, embora o corre-corre dos compromissos diários da vida contemporânea, não passar a primavera desapercebidos.

Particularmente a partir de setembro preencho meu coração de alegria ao contemplar, logo cedinho, os Ipês e a primavera. Estamos em janeiro e inúmeros deles continuam florindo, espalhando flores em um rastro de pura beleza. Vale mesmo a pena visitar e andar pelas ruas de Campina Grande nesse período, uma atração à parte, esta que se tornou a cidade dos Ipês.


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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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