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TURISMO & HISTÓRIA

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  • Thomas Bruno Oliveira

A minha Copa


A seleção naquele dia - CBF

A COPA DO MUNDO de futebol é uma celebração das nacionalidades, é sinônimo de festa, de alegria e confraternização. Ela nos liga impreterivelmente a nossa infância. Quem não tem uma só lembrança de um momento de copa do mundo em tenra idade que atire a primeira pedra. O famoso torneio encanta, reúne, desperta sentimentos e seu calendário acaba por marcar estações de nossas vidas. Cresci ouvindo frases como: “no dia da eliminação em 82 eu estava em tal lugar”, ou então: “foi naquele ano em que o Brasil ganhou o tetra”. Aqui no Brasil tudo isso é vivido de maneira ainda mais especial, quando se guarda as dificuldades e problemas em uma gaveta para torcer fervorosamente, pois, o que importa é buscar mais uma estrela. Ninguém ganhou como nós, participamos de todas as edições desde a primeira em 1930 e detemos os recordes mais importantes. Em Campina Grande, especificamente, as copas (sempre no mês de São João, menos a atual) lotavam o Parque do Povo e até já apareceu na transmissão, telão dividindo espaço com quadrilhas juninas para a alegria da multidão.


Tive a imensa alegria de ver o Brasil ser pentacampeão em 2002 com os magistrais desempenhos de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, em uma seleção chamada de família Scolari (sobrenome do técnico Luís Felipe) que encantou o mundo e eu, com 15 anos, entendia muito bem o que ocorria. Mas a minha copa não é essa, a que busco no fundo do coração e me emociono, que me faz viajar no cavalo alado do tempo é a de oito anos antes: 1994.


Remexo as gavetas da memória e encontro o relicário recheado de lembranças dessa copa que, para mim, começou meses antes, em setembro de 1993 quando o Brasil, ameaçado de não ir para a Copa, jogou a última partida das eliminatórias contra o Uruguai, só a vitória interessava. Aquela decisão assanhou os mais antigos, afinal, em 1950 naquele mesmo Maracanã, ‘o templo do futebol’, o Brasil perderia para a esquadra azul celeste o título, o famoso Maracanazo. Durante semanas seguidas, o Globo Esporte saia pelas ruas questionando a escalação da seleção e todos pediam a presença do craque Romário. O técnico Parreira relutava, não queria contar com o baixinho marrento, até que, de última hora, o convocou. Romário jogava no Barcelona, pegou um voo, chegou às pressas e entrou em campo.


A mercearia de Papai apinhada de gente atenta ao televisor de 14 polegadas naquela tarde de domingo. Mais de cem mil pessoas nas arquibancadas do ‘Maraca’ e o hino nacional saindo dos instrumentos de uma banda que eu só achava que era da polícia militar, me fez lembrar de clássicos dos maiorais (Treze x campinense) no Amigão quando o hino era lindamente tocado pela banda da PM, tudo grandioso para o olhar daquele menino torcedor, foi emocionante! Mas como o Brasil jogou naquele dia! Dunga, Branco, Mauro Silva, Bebeto, Romário infernizando a zaga uruguaia, bola na trave e as inúmeras defesas do goleiro Sibold. Galvão Bueno narrava e Pelé fazia os comentários. Assistíamos com angústia e atenção, poderia ser pela primeira vez que o Brasil não participaria de uma Copa do Mundo. Termina o primeiro tempo 0x0 e a aflição continuava. Vem o segundo tempo e em uma arrancada pela direita, Bebeto chega à linha de fundo e cruza para Romário que, sozinho, para no ar como um beija-flor e cabeceia para baixo, a bola quica no chão e passa caprichosamente entre as pernas do goleiro uruguaio, é gol! De braços abertos, Romário comemora correndo fazendo um “aviãozinho”, aquele número 11 estufava a ponto de cair da camisa e nós, tomamos a rua e corremos feito loucos gritando e imitando a comemoração do baixinho, imaginem uns quinze moleques, um atrás do outro, de braços abertos pintando a rua de alegria, quanta magia...


Romário vai comemorar com a torcida após o 2º gol - Placar

Era 27 do segundo tempo, dava para fazer mais e garantir o passaporte para a Copa dos Estados Unidos. Naquele momento, o Uruguai não esboçava muita coisa, mas nunca se pode dar “sopa para o azar” e o futebol sempre apregoou peças. Voltamos para nossos lugares. Dez minutos depois, após uma roubada de bola no meio-campo, Mauro Silva lança Romário que, sozinho, tenta dar o drible da vaca ou o “toque de arrodeio”, dribla o goleiro (que tenta derrubá-lo) e bota no fundo das redes, é gol! Como era final de jogo, comemoramos e pulamos ali mesmo, a alegria era contagiante. Até o juiz apitar o fim, a tensão teimava em não passar. A lateral de campo começava a encher de gente; sinal de que o fim estava bem próximo. É quando o juiz aponta para o meio, acabou! Papai me abraça, eu olho a emoção em seus olhos, ele diz: “Meu filho, vamos para a Copa!”. A última lembrança de copa que eu tinha foi em 90, com cinco anos vi a revolta de Papai com a eliminação para a Argentina no fatídico gol de Caniggia pelas oitavas de final da Copa da Itália.


“Estamos na Copa!”, gritava Galvão, para alívio dos brasileiros. Agora é esperar ela chegar. Momento marcante e toda aquela criançada passou a contar os dias, levada pela magia da seleção canarinho, pena não haver sequer uma fotografia a não ser em nossa memória.



Veja também a crônica 'A vida na mercearia' no link


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Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A União em 10 de dezembro de 2022.

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Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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