TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

São José do Sabugí, olhar e bem viver

Nos limites orientais do Pediplano sertanejo, bem nas fraldas do Planalto da Borborema, está o encantador município de São José do Sabugí, entre o Seridó e o Sertão, de costas para os esporões da Borborema, mirando a planície que por ali se estende, reverenciando pequenos e íngremes inselbergs como as Serras do Exú e da Raposa vistas de longe naquela vastidão semiárida.


Na porção oriental do Pediplano Sertanejo. No horizonte o Planalto da Borborema

A oportunidade de descer o planalto pela Serra de Santa Luzia é fascinante, são oito quilômetros em declive de curvas que se fecham cada vez mais ao mesmo tempo em que vamos escorrendo pelas cotas altimétricas. Devagar seguimos e o que nos resta é contemplar os paredões que nos cercam. Caatinga bruta, vigorante, vegetais se prendem a porções de terra que cobrem o dorso daquelas gigantes formações rochosas. Faceiras, as macambiras se abrem como sorrisos radiais, parecem estrelas explodindo por sobre os lajedos com aquele verde que cintila os raios de sol. Frondosas árvores, já no fundo do vale, denunciam os cursos d’água que por ora estão secos. A vegetação conserva um verde que demonstra ter recebido uma boa chuva nesses tempos invernosos.


O imponente Pico do Yayu no centro da imagem

Quase 400 metros descidos em poucos instantes, quando a gente menos espera já estamos embaixo, o planalto ficou para trás e os inselbergs, as pequenas elevações, são testemunhas que toda a região tinha a mesma altitude da linha do planalto e que com os milhares de anos sofreu um intenso processo de desgaste, uma erosão paralela, fragmentando tudo e rebaixando todo aquele piso, nasce assim a planície sertaneja com altitude circunscrita entre 200 e 300 metros aproximadamente, diferente da altitude do planalto e suas serras em busca dos céus. Fruto desse processo erosivo é o solo pedregoso e fragmentado que misturado às argilas dos rios temporários formam um solo único. Lá na frente, a partir da BR 230, vemos o suntuoso Pico do Yayu, elevação com um lado proeminentemente pontudo que provoca a imaginação de quem o observa, parece recolher um segredo insondável. Deve ser por isso que o imaginário regional se refere ao Pico em uma série de histórias que remontam o contato entre os indígenas que habitavam o lugar e colonizadores empurrando o gado sertões a dentro. Inclusive o clube social de Santa Luzia, primeira cidade do pediplano sertaneto, foi batizado com o topônimo indígena Yayu.


Rua Higino B. de Morais e a Serra do Exú ao fundo

De Santa Luzia tomamos a rodovia PB 221, à direita, buscando os limites com o Rio Grande do Norte, é nesse momento que avistamos as Serras do Exú e da Raposa à esquerda e a Serra da Jararaca à direita. Lá em cima da Jararaca, no sítio Canoas, está instalado uma série de torres, cataventos geradores que não passam despercebidos por quem ali passa. Localizados no cume, geram energia, riqueza e esperança, alternativa energética e econômica para a região. Imersa nessa rica paisagem está a pequena cidade de São José do Sabugí, ali, convidativa, nos chamando para contar sua história. A torre da Igreja de São José marca território e a cidade se dispõe a lhe contemplar. As casas surgem formando a rua, dando-lhe destaque especial. De um lado e de outro, desde o primeiro construtor em 1928, seu Higino B. de Morais até os mais recentes. A rua se encerra no muro do Cemitério São José e no canteiro temos a praça e mais adiante está sendo construído o Palco de Eventos.


Igreja Matriz de São José

São José do Sabugí é uma cidade feliz. Ela conserva aqueles valores interioranos, uma invejável tranquilidade de habitantes nas sombras das calçadas, com olhar terno e curioso acompanhado sempre de sorrisos. Posto de saúde, Emater, banco, bodegas, mercado, posto de gasolina, ginásio novo, tudo muito bem arrumado, ruas calçadas e limpas. Nos últimos quinze anos é a quarta vez que vou ao município e imagino que o segredo desse bem viver são boas administrações. Soube que atualmente nem oposição se tem, óbvio que ela é importante, mas isso é prova de que as coisas vão bem e que a população está pronta para viver sua vida com dignidade, curtindo “as quatro festas do ano” como diria Luiz Gonzaga, tocando os seus destinos sem maiores problemas. Isso é ou não é bem viver?


Apesar de pequeno, o município possui um rico patrimônio histórico, arqueológico e natural, tesouros que serão levantados e preservados para o Brasil e o mundo conhecer.


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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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