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TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

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  • Foto do escritorThomas Bruno Oliveira

Viva Gonzagão!


EM 2012, ANO DO CENTENÁRIO de nascimento do Rei do baião Luiz Gonzaga, tive a honra de participar de um projeto que se tornou uma das maiores homenagens a esse ‘monstro sagrado’ da música brasileira. Me refiro a ‘Casa de Gonzagão’ no Parque do Povo, em Campina Grande-PB, justamente durante os trinta dias de festa n’O Maior São João do Mundo. O projeto foi patrocinado pela empresa Estrutural Eventos do visionário empresário Jomário Souto e teve a concepção de um trio (tinha que ser um trio!) formado pelo gonzagueano Xico Nóbrega, José Edmilson Rodrigues e eu. Fizemos o projeto como se tocássemos um arrochado forró com sanfona, triângulo e zabumba. Nesse dezembro que Deus nos dá, de Santa Luzia, de Gonzaga e do forró, relembro a maravilha que foi aquele trabalho.


“Minha sanfona, minha voz e meu baião, este meu chapéu de couro e também o meu gibão, vou juntar tudo, dar de presente ao museu, é a hora do adeus, de Luiz Rei do Baião”. Reviver Luiz Gonzaga e o seu tempo foi a proposta da Casa de Gonzagão, homenageando o centenário do imortal cantador da Asa Branca. A exposição teve o apoio da Prefeitura Municipal e do Museu Fonográfico Luiz Gonzaga, do gonzagueano José Nobre. A Casa expôs vida e obra de Gonzaga e seus seguidores em painéis gigantes - de 2,70 metros de altura e 4 metros de comprimento - com retratos, capas e selos de discos, fotos e comentários do período histórico em que ele viveu compreendendo sete décadas, Passamos pela sedição do “Padim” Padre Cícero do Juazeiro, a era do Presidente Getúlio Vargas, segunda guerra mundial, a construção de Brasília, o regime militar, retratando a inserção do Rei do Baião em todo esse contexto histórico.


Na "cozinha de Gonzaga" com o músico Ton Oliveira

A ambientação da exposição recriou a casa de taipa, mobiliário e apetrechos onde o segundo filho de Januário e Santana nasceu em 13 de dezembro de 1912. Uma seção da exposição lembrava o pai de Luiz Gonzaga, Seu Januário, tocador de fole e consertador do instrumento em sua oficina. Os manequins com os trajes das figuras ícones da cultura nordestina, o vaqueiro e os célebres cangaceiros Lampião e Maria Bonita, que inspiraram a indumentária artística de Luiz Gonzaga; a réplica do chapéu de couro e do gibão do cantor e o trio instrumental criado por ele; elementos como sela, arreios e cavalo marcantes do ciclo do gado no sertão nordestino. Tudo isso chamou muito a atenção dos visitantes que desde as tardes formavam fila para a visitação.


Clique na setinha e navegue no álbum de fotos


“É verdade meu sinhô, essa história do sertão, Pe. Vieira falou, que o jumento é nosso irmão”, cantou Luiz Gonzaga em homenagem a esse animal de montaria e carga fundamental na civilização nordestina. Uma surpresa aos visitantes foi a representação do “jumento nosso irmão” pronto para transportar água com cangalha e ancoreta. Outra atração foram as réplicas das estátuas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do conjunto de esculturas em tamanho natural no Açude Velho de Campina Grande, compondo o monumento ‘Farra de bodega’.


As filas eram enormes e, muitas vezes, chegava na Pirâmide do Parque do Povo

A Casa de Gonzagão foi mobiliada com requinte lembrando a fase da vida de artista de Luiz Gonzaga com todo conforto no Rio de Janeiro e em Exú (quando compra casa para estadia na terra do coração), inclusive com a exposição de um rádio antigo que o consagrou em todo Brasil através da Rádio Nacional. Os aparelhos que tocaram os discos e carreira artística de Gonzaga, do gramofone dos antigos discos 78 rotações por minuto ao toca disco que nossos pais e avós ouviram tanto os baiões, xotes e toadas imortais de Luiz Gonzaga, tudo isso esteve em exposição. Inclusive o visitante podia ouvir música em radiola direto do LP, uma curiosidade para os filhos e netos da geração digital, aparelho tão decantado na vida doméstica do Brasil desde a década de 1930, antes da televisão.


Xico Nóbrega, Thomas Bruno e José Edmilson Rodrigues na sala de Gonzagão

Os programas especiais e outros documentos de áudio e imagens do Rei do Baião foram exibidos num telão montado na área do coreto junto a Casa de Gonzagão, à vista dos passantes nas principais ruas da cidade cenográfica do Maior São João do Mundo. Além dos visitantes que curtiam a festa, houve agendamento com escolas públicas e privadas para o acesso de estudantes que ficavam deslumbrados com o que viam e uma maneira de conhecer não só a história de Gonzaga como fragmentos históricos das tradições nordestinas, reconhecendo na vida em família muito do que viam.


Tudo isso me veio à mente depois que vi o box ‘Luiz Gonzaga, 110 anos do nascimento’ do paraibano Paulo Vanderley, uma belezura de livro que o amigo Thélio Farias me mostrou e que vou adquirir. Na terra do Maior São João não faltou homenagem a você Gonzaga, seu legado está vivo, sempre presente. “O homem é bom, o homem é espetacular!”. Viva Gonzagão!


Veja abaixo dois vídeos da época:



Veja também a crônica 'Junho é sentimento!' no link


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Publicado na coluna 'Crônica em destaque' do Jornal A União em 17 de dezembro de 2022.

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2 commenti


The Mcx
The Mcx
27 dic 2022

Luiz Gonzaga é um símbolo imortal da cultura nordestina. Quando criança, lembro que suas músicas tinham lugar cativo em tudo que era rádio.

Reitero...


Viva Gonzagão!


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Marcelo Reul
Marcelo Reul
22 dic 2022

Obrigado Prof. Bruno!


Obrigado pela sua dedicação em retratar a nossa história; nossas tradições; e ninguém melhor neste momento, do que o nosso eterno REI do BAIÃO.

Sei que o grande Luiz Gonzaga se estremece no túmulo, quando escuta as músicas atuais, que todos insistem em chamar de FORRÓ; forró uma ova! Vocês sabem lá o que é forró? Sabem lá o que é baião? o que é cultura nordestina?

Agradeço a Deus pela oportunidade de ter vivido esta época, esta geração.

Agradeço também a você Prof. Bruno, por reviver estes bons momentos de nossa história.


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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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