TURISMO & HISTÓRIA

Notas para um jornalismo literário e histórico

 
 
  • Thomas Bruno Oliveira

Cariris Velhos: uma região singular

Das mesorregiões da Paraíba, a que mais se destaca no tocante a identidade cultural é o CARIRI, denominado em outrora de ‘Cariris Velhos’ (diferenciando-o dos Cariris de Princesa e também dos Cariris novos cearenses). Dali, recebemos o leite e queijo do Cariri, o artesanato e artefatos em couro e outras preciosidades que são inteiramente identificadas com este lugar, diferentemente de outras regiões, as quais não há um apelo sentimental e identitário tão explícito como vemos nos municípios caririzeiros, como diria o saudoso amigo Pedro Nunes, o Mundo-Sertão.


Serra da Matarina, Prata-PB

O Cariri é uma faixa de aproximadamente 100km que nasce no coração da Paraíba indo até os limites com o Pajeú e Agreste pernambucano de um lado, ao norte limitando-se com o Seridó, abarcando oficialmente vinte e oito municípios, mas que na prática reúne mais de quarenta, no chamado Cariri histórico. Sua população é de aproximadamente 160 mil pessoas e seu clima é tipicamente semiárido, com a marcante característica do diminuto índice pluviométrico; aspectos que marcaram sensivelmente a arte do fazer e viver do povo que desenvolveu uma forma peculiar de lidar com os fatores climáticos e com a sua vegetação graciosamente original, pois até a caatinga ali é diferente da de outras regiões.


Ao estarmos nestas terras, notamos uma aura diferente, até parece que o Cariri é uma nação independente, tal qual é a identificação do povo com o lugar, com as serras e montanhas, vales e planícies que delineiam majestosamente o relevo da região que abrigou as primeiras missões para a ocupação portuguesa do interior. Seus sobrados, igrejas e casas de farinha, seus lugarejos parecem lugares encantados, sempre com características marcantes. Pisar aquele solo, chega dá vontade de ficar.


Ali escritores, poetas, trovadores e artistas dedicam a inspiração de suas vidas em homenagem a sua terra. Personalidades que dali se orgulham, como podemos citar os amigos Xicão do Cariri (exímio fotógrafo das faces caririzeiras), Dozão e Zezito de Serra Branca, Paulinho de Cabaceiras, João Pedro Salvador de Prata e muitos outros que realmente vivem o Cariri, que o diga o Professor Daniel Duarte, Presidente do ‘Instituto Histórico e Geographico do Cariry Parahybano’, que sempre em suas palestras, trajado de jibão e chapéu de couro, aclama os presentes com a seguinte saudação religiosa: “Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo...”, a platéia à responder: “Para sempre seja Deus louvado!”. Certa vez, o museólogo, memorialista e multifacetado Balduíno Lélis de Farias, de Taperoá, me disse: “O Cariri é uma região muito bonita e de povo guerreiro, é um lugar mágico, por isso não saio daqui!”.


Sítio Picoito, São João do Cariri-PB

Pra quem deseja conhecer um pouco da literatura sobre o Cariri da Parahyba, recomendo três obras do amigo e escritor Pedro Nunes Filho, um eterno apaixonado pelo Cariri, são eles: ‘Cariris Velhos: Passando de Passagem’(Jabre, 2008. 195p.), ‘Caatinga Branca’ (Jabre, 2008. 157p) e ‘Mundo-Sertão: terra não revelada’ (Jabre, 223p.) livros preciosamente ricos em informações históricas, geográficas e culturais. Neles, Nunes nos convida a um passeio por suas terras e de forma agradável e informativa nos desperta uma consciência preservacionista, não esquecendo o resgate aos valores caririzeiros e o amor por aqueles rincões acaatingados (recomento a leitura!).


Mesmo não nascendo no Cariri, fui conquistado por sua história e seu povo. Digo que sou ‘Caririzeiro de coração’ e recentemente o sou também por direito, já que fui agraciado como filho de Serra Branca através do título de cidadão da Princesa do Cariri. Meu carinho e amor por essa terra! Quem conhece o Cariri, um dia sempre há de voltar e eu já estou contando os dias...





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O começo

Durante anos temos viajado por diversos lugares para o desempenho de pesquisas e também para o deleite do turismo de aventura. Como um observador do cotidiano, das potencialidades dos lugares e das pessoas, tenho escrito muitas dessas experiências de centros urbanos como também de suas serras, montanhas e rios. Isso ocasionou a inspiração de algumas pessoas na ajuda em dicas de viagem.
Em 2005, iniciamos uma série de crônicas e artigos no Jornal Diário da Borborema, em Campina Grande-PB e após anos, assino coluna nos jornais A União e no Contraponto. Com o compartilhamento das crônicas, amigos me encorajaram e finalmente decidi entrar nas redes.
Aqui estão minhas opiniões, paixões, meus pensamentos e questionamentos sobre os lugares e cotidiano. Fundei o Turismo & História com a missão de ser uma janela onde seja possível tocar as pessoas e mostrar um mundo que quase não se vê, num jornalismo literário que fuja do habitual. Aceita o desafio? Vamos lá!

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